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Costa: “Quem nunca acertou nas contas foi o atual Governo”

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FOTO MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Líder socialista insiste que o PS foi o “único partido” que fez as contas para o programa eleitoral. E diz que “não aceita lições sobre boa gestão” de Passos Coelho, que acusa de estar "prisioneiro ao passado"

Um dia após o frente-a-frente televisivo com Passos Coelho, António Costa fez questão de reiterar algumas das suas afirmações durante uma entrevista esta noite à RTP, acusando o primeiro-ministro de ser um “prisioneiro do passado”.

Voltou a insistir que o PS foi o único partido que fez as contas para o programa eleitoral : “Quem nunca acertou nas contas foi o atual Governo. Do atual primeiro-ministro não aceito lições sobre boa gestão das contas públicas”, afirmou o secretário-geral do PS.

Tocando num dos pontos em que Passos Coelho foi mais criticado no debate de ontem às três estações generalistas - o facto de ter falado demasiado do passado e menos do futuro -, Costa defendeu que o atual líder do Executivo não tem propostas para o país.

“O dr. Passos Coelho é um prisioneiro do passado. Não tem nada a dizer sobre o futuro, está esgotado, o seu programa era o programa da troika”, sustentou.

Admitiu ainda que a situação do país é atualmente melhor do que há um ano - referindo-se à sua polémica afirmação durante uma conferência com investidores chineses -, mas garantiu que o mesmo não sucede quando comparamos com o quadro macroeconómico de há quatro anos.

“Eu não faço parte do grupo da oposição que acha que deve criticar tudo, até fui criticado por isso. Mas não podemos deixar-nos iludir. Este vai ser o primeiro Governo que vai deixar o país com um PIB menor do que o que recebeu ”, acrescentou.

Sobre o desemprego, Costa não deixou de criticar a política do atual Executivo, frisando que a melhoria dos números denotam a existência de menos emprego e a diminuição da população ativa.

Pelo meio houve ainda tempo para falar de novo nas contas do partido socialista.“O cenário que os economistas [que trabalharam para o PS] elaboraram foi muito conservador. Temos um trabalho de grande rigor que tem por base as previsões da Comissão Europeia”.

“Eu não cheguei à política ontem. Não estou disponível para perder a credibilidade por meia dúzia de votos”, disse perentório.

Questionado sobre a política europeia, o líder socialista considerou que é necessário “reforçar o braço político da Europa”, sendo que cabe a Portugal assumir um papel a esse nível.

Relativamente ao autoproclamado Estado Islâmico e à crise de refugiados, António Costa disse não ter a ilusão de que por vezes as intervenções militares são necessárias. “A União Europeia tem de ter uma política externa, de defesa comum, que seja ativa e possa desenvolver a paz e desenvolvimento em territórios que neste momento estão em guerra. As intervenções militares são o último recurso, mas é inaceitável o que estamos a assistir nas fronteiras externas. Esse trabalho na origem é essencial ser feito, mas de forma gradativa.”