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Legislativas. E o voto de Freitas dos Amaral vai para…

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Rui Ochôa

Cofundador do CDS e antigo ministro de Sócrates considera que “justiça social em democracia e na Europa, hoje, só com o PS”

“Se houvesse uma verdadeira AD, de caráter vincadamente social e progressista – como a que fizemos em 1980 –, não seria com certeza necessário que tantos sociais-democratas e democratas cristãos (como eu) tivessem de votar nos socialistas.” Palavras do antigo ministro socialista e cofundador do CDS, Diogo Freitas do Amaral, num artigo de opinião que será amanhã publicado na revista Visão, onde revela que irá votar em António Costa e critica duramente Passo Coelho.

Para o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do socialista de um Governo liderado por José Sócrates, o atual primeiro-ministro até conseguiu “alguns resultados económicos positivos” à custa de cortes nos salários e pensões, no acesso à saúde e às prestações sociais tendo aumentado o desemprego muito acima do que era previsto.

Mas para Freitas do Amaral, o principal defeito de Passos é “manipular os números, para poder fugir à verdade plena, sobretudo através de omissões e meias verdades”.

“Como democrata-cristão, chocou-me e indigna-me a falta de sensibilidade social

desta direita neoliberal, que conscientemente tributa mais o trabalho do que o capital, e que pretende resolver todas as crises à custa das classes médias”, acrescenta Freitas.

Em contraponto, o homem que em 1986 chegou a candidatar-se à Presidência da República com o apoio do PSD e do CDS, acredita que “o PS apresenta-se (e bem) como o partido do crescimento económico e da criação de emprego, dentro dos necessários equilíbrios financeiros”.

“O que podemos razoavelmente esperar do PS, liderado pelo experiente, sério e democrata António Costa?”, pergunta Freitas do Amaral para logo responder: “No plano político, o respeito pela Constituição e pelo Tribunal Constitucional. No plano económico, o arranque do crescimento pelo aumento da procura interna, já que o investimento continua retraído e a procura externa é por definição instável.”

O antigo ministro de Sócrates espera e exige “que o PS mantenha o código genético que lhe imprimiu Mário Soares: Democracia, Europa, Estado Social. Tudo numa linha moderada de progresso, e nada numa linha radical de regresso ao Estado Liberal – hoje infelizmente protagonizada pelo PSD, que não nasceu com essa vocação.”

“Onde paira o espírito social e progressivo de Sá Carneiro e dos outros social-democratas que o acompanharam?”, questiona-se para logo concluir: “justiça social em democracia e na Europa, hoje, só com o PS. Como disse Churchill, ‘às vezes é necessário mudar de voto ou de partido, para não ter de mudar de princípios’.”