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Polémica na Madeira: Albuquerque insurge-se contra comentários “imbecis” e mantém disponibilidade para acolher refugiados

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Há uma página no Facebook contra a ida de refugiados para a Madeira e, na mesma rede social, já circula uma proposta para uma manifestação dos que se opõem ao acolhimento de famílias sírias

Marta Caires

Jornalista

HOMEM DE GOUVEIA / Lusa

As autoridades regionais juntaram-se ao esforço nacional para acolher refugiados, mas na Madeira nem todos estão de acordo e, no Facebook, foi criada uma página contra a ida de famílias sírias e já se levantou a possibilidade de fazer uma manifestação. Os que se se opõem à entrada de refugiados temem, entre outras questões, que os que agora chegam possam dominar o país e a região no futuro, além de ficar com os poucos empregos. Miguel Albuquerque já reagiu a estes comentários na Internet, que classificou de “xenófobos” e de “imbecis”.

O presidente do Governo Regional admitiu que ficou chocado com o que leu, pois “alguns dos comentários não só são xenófobos como eram maldosos, egoístas, mas sobretudo imbecis”.

A declaração, feita durante o discurso do dia do concelho da Ponta do Sol, serviu também para vincar que Miguel Albuquerque não cede e que mantém a decisão do conselho de governo da última quinta-feira, dia 3 de setembro: a Madeira irá mesmo juntar-se ao esforço nacional e acolher algumas famílias de refugiados sírios.

“Não é admissível que uma Região, como a Madeira, com uma tradição de emigração – os nossos pais, avós e bisavós emigraram para terem melhores condições de vida noutros países – tenha qualquer hesitação àquela que é uma obrigação da humanidade essencial de acolher outros seres humanos que vivem situações terríveis”.

O chefe do executivo acrescentou ainda que esta é “uma questão de valores” e que não se pode colocar ao mesmo nível do desemprego e da repartição dos subsídios sociais. O desemprego, lembrou, combate-se com o crescimento económico.

Além de temer o domínio do país e da região pelos refugiados, os argumentos dos que se opõem à entrada de famílias sírias na Madeira estão relacionadas com as dificuldades sociais e económicas que a região atravessa. Os que estão contra entendem que é preciso primeiro cuidar dos madeirenses, que todos os recursos devem ser utilizados nos que cá vivem e não desperdiçar com refugiados, os quais associam ao terrorismo e ao fundamentalismo islâmico.

A página do Facebook “Não queremos a vinda de refugiados para a Madeira” abriu, encerrou e voltou a abrir em 24 horas. O estilo dos comentários terá levado a denúncias por parte dos que são a favor do acolhimento de famílias de migrantes. Neste momento, a página tem pouco mais de 100 gostos. Esta, no entanto, não é a única plataforma dos que estão contra os refugiados e, também no Facebook, a página “Ocorrências na Madeira” tem sido local para colocar opiniões e fotografias a justificar a não entrada de migrantes, é aqui também que circula a ideia de fazer uma manifestação.

O assunto está a dividir as opiniões, há também quem apresente argumentos a favor do acolhimento e quem, como Miguel Albuquerque, lembre que a Madeira é uma terra de emigrantes, que partiram em busca de uma vida melhor para a Venezuela, para a África do Sul e, mais recentemente, para o Reino Unido e para as ilhas do Canal, sobretudo para Jersey, onde existe uma grande comunidade portuguesa de origem madeirense.