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Explicações da Liga para haver futebol em dia de eleições não convencem a CNE

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José Coelho / Lusa

Benfica, FC Porto e Sporting vão jogar a sétima jornada a 4 de outubro, dia de eleições. É a primeira vez em democracia que há futebol em dia de os portugueses irem às urnas

A Liga explicou-se, mas o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) volta a reafirmar: a realização de jogos de futebol não é aconselhável em dia de eleições. Após a reunião plenária da CNE, esta terça-feira, João Almeida referiu que as justificações apontadas pela Liga de Futebol não alteram a posição da CNE.

"A Liga deu as razões porque manteve os três jogos [do Benfica, do Porto e do Sporting]. Continuamos a entender que não deveria haver eventos com grande aglomerado de pessoas e que obriguem a deslocações para longe das áreas de residência."

A CNE desaconselhou a realização de eventos do género em dias de eleições, pois, além de poderem contribuir para a abstenção, podem causar "problemas sérios devido à proximidade dos jogos às assembleias de voto".

Na sexta-feira, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional explicou que a marcação de jogos de futebol para 4 de outubro, dia de legislativas, prende-se com imposições do calendário internacional - há competições europeias de clubes antes do fim de semana eleitoral e seleções logo a seguir.

Face às 72 horas de descanso regulamentares entre encontros que a lei desportiva impõe - há clubes a jogar para as provas da UEFA na quinta-feira anterior ao domingo de eleições - e ao facto de os jogadores internacionais terem de se apresentar ao serviço das suas seleções no dia 5 -, a Liga refere que teve se der escolhida a data de 4 de outubro para um conjunto de jogos - que envolvem os três grandes. Não foi feita qualquer referência à possibilidade de adiamento da jornada.

Este ano, a Liga de Futebol, empurrada pelos clubes, decidiu marcar uma série de jogos para 4 de outubro, o dia escolhido pelo Presidente da República para os portugueses decidirem qual será o próximo governo.

"Não há nada na lei que o impeça", frisa Fernando Veiga Gomes, especialista em Direito do desporto. Então porque é que nunca houve jogos de futebol profissional em dia de eleições? "Porque a regra é que o Ministério da Administração Interna comunique às federações que organizam competições por jornadas o dia escolhido para as eleições e recomende que nada seja marcado para esse dia. Regra geral, a recomendação é acatada, este ano parece que será diferente", explica o advogado.