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“Só queremos liberdade”. Refugiados e polícia em confrontos na ilha de Lesbos

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ANGELOS TZORTZINIS/ Getty images

Alguns já lá estão há duas semanas. Queixam-se de que não têm água, comida nem casa de banho. Querem ir para Atenas. E depois, possivelmente, seguir caminho até à Alemanha

“Asilo! Queremos ir para Atenas”, é o que gritam parte dos refugiados na ilha grega de Lesbos. São cerca de 17 mil as pessoas que estão bloqueadas naquela ilha. Nos últimos dois dias, tem havido confrontos diários entre a polícia e os refugiados, que desesperam por encontrar uma embarcação que os leve dali para fora. Que os leve até uma vida melhor. O primeiro destino é a capital grega, depois os Balcãs e, por fim, o norte da Europa.

Segundo avança o jornal britânico “The Telegraph”, os refugiados gritam por melhores condições. A sua casa tem sido o porto de Mytilini, a principal cidade da ilha de Lesbos. É ali que ficam à espera da autorização das autoridades para embarcarem nos ferries que os transportará até Atenas. Dormem e fazem as necessidades nas ruas.

“Estou aqui há sete dias. Não temos água, comida ou casa de banho. Por favor, as autoridades gregas têm de nos deixar sair desta ilha. Só queremos liberdade. As autoridades gregas têm apenas um escritório e um computador a processar os documentos de todas estas milhares de pessoas”, relatou Mohammad, 27 anos e licenciado na Universidade de Allepo, na Síria.

Mahmud Masri, de 26 anos, banqueiro, assegura que a ação da polícia sobre os refugiados é frequente: “É assim todos os dias - a carga policial. Há aqui crianças e mulheres. Não somos animais”.

“O nosso dinheiro está a acabar. Comemos apenas uma sandes por dia e dormimos aqui mesmo: na rua”, contou outro sírio de 19 anos.

Nestas condições, os refugiados começaram a protestar. Há registo de apedrejamentos e de agressões. Ao longo do dia de sábado, as autoridades tiveram mesmo que recorrer à gás lacrimogénio.

Spyros Galanos, presidente da Câmara da ilha de Lesbos, considera que a situação “está fora de controlo” e aproxima-se do “estado de emergência”. “Há o perigo iminente de que o rastilho acenda um grande fogo. Estou a apresentar propostas, chamei presidentes das Câmaras da Turquia e da Europa para apresentar essas propostas, mas ninguém me deu ouvidos”, acrescentou, citado pelo jornal “The Telegraph”.

Agora, o dispositivo policial e do exército foi reforçado. O objetivo principal é “reduzir o mais rapidamente possível o elevado número de refugiados, de modo a que o fluxo volte a ser tolerável", tanto para a população local como para os próprios deslocados, adiantou o ministro grego que detém pasta da política migratória, Iannis Mouzalas.

Os militares vão ainda distribuir alimentos e a instalar em centros de acolhimento.