Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Rui Machete. Portugal apoia proposta franco-alemã de quotas obrigatórias

  • 333

STEVEN GOVERNO / Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que Portugal apoia “basicamente” a proposta da França e Alemanha para criar um sistema permanente e obrigatório para distribuir refugiados entre os vários países europeus. Mas admite que “falta ainda definir com maior precisão” o que vai ser feito

A crise de refugiados está a revelar divisões entre os países da União Europeia e as divergências na forma de resolver o problema ainda não foram totalmente ultrapassadas.

“Há divergências. Porque a Hungria defendeu, com base no regulamento de Dublin a manutenção do muro. Outros países, como nós, entenderam que o muro não é a solução correta”, disse este sábado o ministro dos Negócios Estrangeiros à saída de uma reunião da diplomacia europeia, no Luxemburgo, referindo-se à vedação que está a ser construída na fronteira com a Sérvia.

Rui Machete diz, no entanto, que a Hungria tem um problema e tem de ser ajudada. “A europa ainda não está unida mas não quer dizer que não venha a estar unida”, disse, sublinhando que há para já “uma preocupação comum” com o drama humano e o reconhecimento de que este tem de ser resolvido a nível europeu.

A ONU fala na necessidade da Europa redistribuir 200 mil refugiados, no âmbito de um mecanismo de recolocação de refugiados. Machete diz que é possível. “Eu penso que a Europa terá a possibilidade de receber se fizer os esforços que correspondam aquilo que ouvi aqui”, concluiu.

A discussão sobre quotas foi evitada – uma vez que as decisões terão de ser tomadas a nível dos ministros do interior que se reúnem dia 14 – mas a necessidade de solidariedade e de repartir o esforço com o acolhimento de refugiados foi sublinhada por vários ministros e pela Alta Representante da UE para a política externa, Federica Mogherini.

França e Alemanha já vieram defender um sistema obrigatório e permanente para repartir requerentes de asilo, aliviando a pressão sobre os países mais afetados. Machete diz que Portugal “apoia basicamente a proposta” mas que falta definir “com maior precisão” como vai ser criado este mecanismo.

No Luxemburgo, falou-se da necessidade abrir as portas a quem foge à guerra, mas também da cooperação com os países de origem e por onde passam os refugiados, no sentido de encontrar soluções para travar o fluxo. Um Conselho de ministros informal que contou também com a participação os chefes da diplomacia da Turquia e dos restantes países candidatos a membros da União Europeia.

  • Portugal poderá receber 3 mil refugiados

    A proposta que a Comissão Europeia se prepara para apresentar relativamente à repartição urgente de refugiados entre os Estados-membros da União Europeia poderá atribuir a Portugal uma quota de cerca de 3 mil refugiados