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BE não vai à campanha de Tsipras

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Entre duas campanhas eleitorais, bloquistas preferem jogar em casa

Nenhum dirigente do Bloco de Esquerda estará presente na campanha eleitoral grega. Ao contrário do que aconteceu em janeiro, altura em que Catarina Martins e Marisa Matias foram presenças assíduas nos comícios do Syriza, desta vez o Bloco mantém-se à distância. “As campanhas eleitorais nos dois países sobrepõem-se”, explicou a eurodeputada ao Expresso. O risco de uma derrota eleitoral da esquerda grega ou a divisão interna no partido de Tsipras “não são o motivo” para esta ausência, garante Marisa Matias.

“Partido-irmão”, como lhe chamava o BE, o Syriza de Alexis Tsipras teve, na campanha eleitoral que antecedeu a sua chegada ao poder, duas apoiantes constantes: Catarina Martins e Marisa Mortágua. A eurodeputada chegou a participar em várias iniciativas nas duas semanas de campanha e a sua amizade e proximidade política com o líder do Syriza levou-a, inclusivamente, a ser uma das oradoras (intervindo antes de Tsipras) num dos comícios realizados em Salónica.

Catarina Martins acompanhou Marisa Matias no último comício do Syriza, em Atenas, e as duas acompanharam de perto a noite eleitoral grega, em 25 de janeiro deste ano. Syriza era mesmo um modelo. “É a possibilidade de esperança de que, na Europa se possa sorrir”, dizia, na altura da vitória da esquerda grega, a líder do Bloco. No referendo de julho, Marisa Matias voltou a Atenas e a acompanhar Alexis Tsipras no seu desafio à União Europeia.

Em vésperas de um novo ato eleitoral na Grécia, a posição do Bloco de Esquerda mudou radicalmente. Nenhum dirigente estará presente em qualquer ação de campanha para as eleições que, no dia 20 de setembro, marcarão o destino do Syriza. As perspetivas de resultado, também, são totalmente diferentes (ver caixa) das registadas em janeiro. Atravessado por uma cisão interna e desgastado com seis meses de negociações com a Europa, as hipóteses de regressar ao poder estão francamente diminuídas para o partido de Tsipras.

O Bloco de Esquerda decidiu manter-se distante do processo eleitoral grego. A direção quer concentrar todos os esforços na campanha para as legislativas, tanto mais que a possibilidade de uma forte quebra eleitoral está cada vez mais no horizonte. Marisa Matias é um ‘trunfo’ que a direção bloquista quer aproveitar e a eurodeputada será mesmo chamada a protagonizar alguns momentos da campanha, em substituição de Catarina Martins.

Ao Expresso, Marisa Matias — que se encontrava, ontem, em campanha, no distrito de Viseu — desvalorizou qualquer leitura política da ausência do BE das eleições gregas. “As campanhas eleitorais sobrepõem-se. Só por isso não estaremos presentes”, disse, negando até que o partido tenha dificuldade em optar entre o apoio ao Syriza ou à nova Plataforma de Esquerda. “O BE não é exclusivista nas suas relações Internacionais”, afirma, citando as ligações simultâneas aos partidos de esquerda espanhóis, catalãs ou galegos.