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Política

Palavra de ordem na coligação: não usar Sócrates

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José Carlos Carvalho

A ideia é que a saída de José Sócrates “não interfere em nada” com a ação da coligação. E que os estragos são para António Costa: é uma pressão adicional sobre a campanha socialista

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

A decisão da coligação está tomada: não serão eles a puxar o assunto José Sócrates para os palcos da campanha. “Nós vamos estar à margem, não vamos interferir”, diz um membro da direção do PSD. A doutrina está fixada, esclarece o mesmo dirigente, “não comentamos assuntos que não são exclusivamente políticos.”

O episódio Rangel foi mau, mas “ele é um militante entre muitos” e não faz escola. “Não penso o que ele pensa, e não diria o que ele disse”, declarou na quinta-feira Paulo Portas em entrevista à TVI.

Mas se a direita garante que a saída de Sócrates de Évora “não altera em nada o que estamos a fazer”, sabe, por outro lado, que a notícia desta sexta-feira é uma má notícia para a campanha do PS. Com um elemento do pressão adicional sobre o Partido Socialista e a mensagem do líder do PS a ser perturbada com o regresso do ex-PM ao noticiário.

O filme já está a ser antecipado do lado da coligação: socialistas vários, incluindo Mário Soares, num novo carrossel de visitas a Sócrates – agora bem no centro de Lisboa e não em Évora – e a tentação de transformar a diminuição da medida de coação numa espécie de ilibação do ex-PM.

Por outro lado, com Sócrates outra vez na berlinda, e algum PS a querer fazer dele uma vítima, será mais difícil a António Costa demarcar-se da herança política do antigo chefe do Governo. E essa, dizem à direita, será uma das grandes questões políticas em que a campanha se cruza com a figura de Sócrates: com o Portugal à Frente a dizer que a vitória de Costa é um regresso ao passado, o que dirá Costa sobre esse passado que lhe entra pela agenda adentro?