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Portas nega pressa na venda do Novo Banco

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FOTO TIAGO PETINGA/LUSA

Líder do CDS mostrou-se muito cauteloso sobre o desfecho do processo. Em entrevista à TVI, mostrou apenas a convicção de que o caso do Novo Banco terá menos custos do que o BPN

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Paulo Portas mostrou-se esta quinta-feira extremamente cauteloso sobre o processo de venda do Novo Banco, insistindo apenas na ideia de que a resolução do BES "é com certeza melhor" do que a solução de nacionalização adotada no passado para o BPN. Em entrevista à TVI, o vice-primeiro-ministro falou do Novo Banco com pinças, numa altura em que falharam as negociações com o candidato melhor colocado para a compra, e se adensam as dúvidas sobre se será possível, a breve prazo, a venda da instituição bancária.

"Mas quem é que disse que havia pressa?", questionou Portas, perante a pergunta de José Alberto Carvalho sobre a "pressa" do Governo em concluir o negócio. Isto, apesar de ainda na quarta-feira o ministro da Economia ter dito que "é desejável que o Novo Banco venha a conhecer mais cedo do que tarde aquele que será o seu futuro acionista".

"Não devemos intervir, devemos aguardar", afirmou o vice-primeiro-ministro, lembrando que cabe em exclusivo ao Banco de Portugal conduzir o processo.

Também à pergunta sobre se o Novo Banco não terá custos para os contribuintes, Portas apresentou-se com um discurso bastante defensivo. Nunca foi perentório na garantia, optando, antes, por sublinhar a vantagem da opção pelo fim do BES, em vez da sua nacionalização, à semelhança do que aconteceu com o BPN. “Não digo que o sistema [de resolução] seja perfeito", mas "é com certeza melhor" do que a nacionalização", pois, “se fosse nacionalização, já estávamos todos a pagar", repetiu Portas.

"Dentro de uma perspetiva mais positiva..."

Foi esse, quase sempre, o mote da resposta do líder do CDS: às dúvidas sobre o futuro do Novo Banco, argumentou com o passado do BPN. “Se tivesse sido uma nacionalização teria sido uma tragédia. Acredito que as coisas podem correr dentro de uma perspetiva mais positiva e seguramente o contribuinte está mais defendido".

Porém, ao ser confrontado com a perspetiva de o valor da venda não cobrir os 4,9 mil milhões que o Estado injetou no Novo Banco, e a Caixa Geral de Depósitos ter de cobrir, através do fundo de resolução, cerca de 25% do valor do diferencial, Portas limitou-se a constatar que “a CGD não é imune ao que acontece no sistema financeiro". Sobre a consequência de esse buraco acabar por ser, indiretamente, pago pelos contribuintes, através do banco do Estado, o vice-PM, sempre à defesa, respondeu que “a CGD tem várias maneiras de cumprir com fundo resolução a sua parte".

PS já se arrependeu da sua proposta sobre TSU

Questionado sobre o que fará a coligação para tapar o buraco de 600 milhões que diz haver na Segurança Social, Portas continuou a recusar responder, assim como nada revelou sobre os pormenores da sua proposta de plafonamento da Segurança Social. Em ambos os casos, com a mesma justificação: é preciso um acordo com o PS, apresentar uma proposta seria "condicionar" esse acordo.

Sobre a proposta de plafonamento das pensões, Portas garantiu que é um "plafonamento moderadíssimo”, apenas "para novos contratos".

Já sobre as propostas dos socialistas para a Segurança Social, Portas mostrou mais conhecimento e desenvoltura de opinião. Repetiu a acusação de que o corte temporário na TSU paga pelos trabalhadores, conforme é proposto pelo PS, custará entre 9 e 14 mil milhões de euros, e disse-se desconfiado de que o próprio PS "já está arrependido sobre a proposta que fez".

"Só isso explica", diz Portas, que o PS tenha alterado os contornos da sua proposta. “Começou por ser 8 pontos de queda bruta da TSU, passou para 4, retomaram 4 mais 4, e todos os dias inventam maneira de compensar o buraco que criaram", até à "última invenção [que] é pôr portagens a pagar pensões. É um problema de não ter medidato o suficiente nas propostas”, acusa o vice-primeiro-ministro.