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O comentário de Portas ao que Cameron disse dos refugiados: "Nem sequer comento"

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Cameron tinha-lhes chamado "uma praga", vice-PM elogia Merkel e lembra as responsabilidades do Ocidente na Síria. "É preciso fazer mais", diz Portas

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

David Cameron, que está esta sexta-feira em Portugal, "entrou" à força na entrevista de Paulo Portas à TVI, por causa das suas declarações sobre a vaga de refugiados que procuram asilo na Europa. "Uma praga", disse há dias o primeiro-ministro inglês (antes de, esta quinta-feira, mudar de discurso, admitindo receber mais exilados). "Concorda com David Cameron?", perguntou o pivô da entrevista da TVI, José Alberto Carvalho. Teve de repetir a questão para ter resposta: "De todo. Nem sequer comento".

A posição do líder do CDS não podia, de facto, estar mais longe da que foi expressa pelo líder do governo inglês. Considerando que "o que está a acontecer não é uma crise de emigração clássica, é uma crise de refugiados e humanitária gravíssima", Portas defendeu que esta é uma crise que testa o projeto europeu.

“A Europa ou é o que são os seus valores ou não é nada. E tem de tomar uma posição com muita clareza, muita nitidez sobre esta situação de refugiados de guerra, particularmente porque o Ocidente não está isento de responsabilidades naquilo que aconteceu na Síria", frisou o número dois do Governo.

O elogio a Merkel

"Evidentemente é preciso fazer mais", disse Portas, frisando que se trata de "gente que está a fugir à morte, a uma guerra que é um genocídio múltiplo". E colocou Merkel nos antípodas de Cameron. "Até agora, quem mais se aproximou de honrar o humanismo cristão e o humanismo laico que fazem os valores da Europa foi a chanceler Merkel, quando disse eu 'não repatriarei nenhum refugiado de guerra da Síria'."

O vice-primeiro-ministro notou a evolução da perceção europeia sobre esta crise: "quando o problema das migrações e dos refugiados estava em Espanha, em Itália e na Grécia, muita gente no Norte da Europa tratava o problema como se fosse uma questão daqueles países. (...) Isto n é um problema da fronteira sul, é um problema da fronteira externa da Europa."

Portas chamou a atenção de que "a tradição portuguesa é de acolhimento. Foi um povo que sempre soube acolher e sabe o que é ser acolhido".