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Passos e Portas afinam discurso para a classe média

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José Carlos Carvalho

Lisboa é distrito de alto risco e os líderes da coligação apelam à mobilização das hostes. Com guião sobre os riscos do PS, para convencer os indecisos

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Pedro Passos Coelho levou gravata verde, Paulo Portas levou vermelha; Passos fez um "apelo de mobilização e de trabalho" para convencer os eleitores, Portas explicou que as eleições se vencem "sabendo debater e sabendo ouvir aqueles que ainda não decidiram"; Passos avisou que "as eleições ainda não estão ganhas", Portas apresentou o "relato" que deve ser feito pela coligação "àqueles que ainda não fizeram a sua escolha". Estão assim as coisas entre o líder do PSD e o do CDS: afinadinhas.

Foi o que se viu esta quarta-feira, na apresentação dos candidatos da coligação Portugal à Frente (PàF) pelo distrito de Lisboa. O círculo por onde Passos e Portas são os dois primeiros nomes da lista. O círculo que elege mais deputados, e também aquele onde as sondagens internas da coligação apontam o risco de maior trambolhão comparativamente com os resultados dos dois partidos em 2011. Um distrito de alto risco, onde se jogará muito do resultado de 4 de outubro. Daí o apelo dos dois líderes do PàF à mobilização das hostes, ao trabalho de passa-palavra, ao discurso afinado seguindo o "relato" do Governo. E com um alvo bem definido: a classe média.

O pássaro na mão e os outros

Precisamente a parte da sociedade portuguesa que foi "mais prejudicada pelo resgate", como reconheceu Portas, mas que, por isso mesmo, poderá ser sensível ao adágio popular que o vice-primeiro-ministro transformou em argumento eleitoral: "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar".

O pássaro na mão, neste caso, são as "garantias" que a coligação assegura caso continue no poder: a devolução de uma parte d sobretaxa deste ano, a redução progressiva da sobretaxa ao longo da próxima legislatura, o fim da CES sobre as pensões, a recuperação dos salários da administração pública; os dois a voar são as promessas do PS, que Portas continua a fazer equivaler ao risco de "novos resgates". Conclusão: "a classe média tem a ganhar com um ambiente de estabilidade e confiança económica", e tem a perder "com instabilidade, excesso de guinada à esquerda, perda de credibilidade, regresso. Situações financeiras que o país já viveu".

É este o "relato" que a coligação vai continuar a passar, baseado numa tetralogia que Portas apresenta como cartão de visita do Governo: financiamento/ crescimento/ investimento/ emprego.

O pano de fundo da narrativa do PàF continua a ser a oposição, repetida por Passos Coelho, entre a "estabilidade" e a "experiência" da coligação, e o "sobressalto" e a "incerteza e risco" da oposição.

Apesar da indisfarçável confiança que se vai notando nas fileiras da maioria - ou, talvez, precisamente por isso - Passos lembrou que "as eleições não estão ganhas" e deixou aos seus o trabalho de casa: "Temos de nos aplicar muito para explicar aos portugueses o que fizemos e o que queremos fazer."