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Paulo Rangel: “Insisto. O ar é hoje bem mais respirável do que em 2009 e 2011”

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Fernando Veludo / Lusa

Eurodeputado reage em artigo de opinião no Público à polémica causada pelo que disse sobre justiça. “Surpreso”, não sai da sua: “Podem dizer o que quiserem mas, sob o ponto de vista do Estado de Direito, o ar é hoje bem mais respirável”

Rangel descreve as reações ao que disse na Universidade de Verão do PSD como “desmesuradas”, mas reconhece que ''é incontornável pegar no tema'' e responde, hoje, no seu artigo semanal no Público.

Surpreso com a “controvérsia” que suscitou ao lançar a pergunta: “Alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro e um banqueiro sob investigação?”, o eurodeputado e ex-candidato à liderança do PSD insiste que a atitude dos responsáveis políticos e o clima social criam ambientes mais ou menos favoráveis ao pleno exercício da justiça.

“Insisto: a perseguição dos poderosos na política ou na finança não é obra do Governo, mas o clima social, a disposição popular e a atitude dos responsáveis políticos criam um ambiente favorável a um exercício são e pleno da justiça'. Foi isto que disse e é isto que reitero”, lê-se no artigo.

Sobre as reações dos socialistas e do sindicato dos juízes, que o acusaram de estar a pôr em causa a independência da investigação e da justiça, Paulo Rangel responde: “Podem dizer o que quiserem. Mas sob o ponto de vista do Estado de Direiro o ar é hoje bem mais respirável”.

Na sua opinião, o programa de ajustamento,“com o seu tremendo rigor” criou “um clima de exigência e moralização” que “deu força aos cidadãos para reclamarem um comportamento exemplar e a punição” dos abusos em qualquer área da sociedade. E isso - “a par da atitude de reserva e neutralidade do primeiro-ministro e do apego da ministra da Justiça à autonomia da investigação” criou, defende Rangel, “um ambiente e uma cultuira favoráveis a uma atuação mais vigorosa das magistraturas”.

Paulo Rangel recorda que já em 2007 fez um discurso polémico no Parlamento sobre a “claustrofobia democrática” e os “mecanismos de condicionamento que levavam muita gente (em especial na função pública) à autocensura”.

Desta vez, diz que voltou a não fazer mais do que uma leitura “de sociologia criminal e política”. À qual Passos Coelho reagiu, na altura, dizendo crer que “o dr. Paulo Rangel se estava a referir ao clima que se vive e que não decorre apenas de medidas tomadas por este Governo, mas que tem permitido que os cidadãos avaliem o funcionamento da ustiça de uma forma mais positiva do que no passado”.