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Papa Francisco ordena perdão de todos os pecados

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MAX ROSSI / Reuters

Até 20 de novembro de 2016, a Igreja tem ordem para promover uma amnistia geral. O aborto ou os crimes de sangue - que são motivo de excomunhão - terão direito a perdão. Francisco volta a surpreender

É mais uma "revolução" do Papa Francisco. Em carta enviada esta terça-feira ao presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, o Papa dá ordem para conceder uma "indulgência jubilar" a propósito do Ano da Misericórdia, que decorrerá até finais de novembro do próximo ano. Todos os arrependidos vão ter direito ao perdão. Presos por qualquer delito, mulheres que praticaram o aborto ou mesmo os mortos com pecados por expiar podem ser perdoados. E nem é preciso ir a Roma.

Na Igreja Católica, uma indulgência jubiliar é o equivalente a uma amnistia geral. O Presidente da República pode decidir "libertar" os prisioneiros numa ocasião especial (por exemplo, a propósito de uma visita do Papa...), da mesma maneira que um Papa pode conceder o perdão dos pecados. A propósito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado por Francisco para decorrer até 20 de novembro de 2016, os fiéis são convidados a experimentar a "genuína misericórdia de Deus". Os católicos arrependidos dos seus erros poderão ver como Deus "acolhe e perdoa, esquecendo completamento o pecado cometido", diz o Papa.

A ideia é simples. Para obter uma indulgência e a remissão dos pecados, os fiéis deverão fazer "uma breve peregrinação" junto das portas santas abertas em cada catedral. Claro que se pode ir a Roma e às quatro Basílicas Papais (São Pedro, São João Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Extra-Muros) da cidade. Mas não é obrigatório. Os bispos diocesanos decidirão, em cadapPaís, quais as igrejas do ano jubilar onde os católicos podem ir receber as indulgências. Claro que terão de se confessar e de participar na eucaristia e rezar pelo Papa e "pelas intenções que trago no coração para o bem da Igreja e do mundo inteiro".

Ordem para perdoar

Ninguem está excluído do perdão. Esta é a mensagem que, com muita veemência, Francisco quer deixar para o interior da sua Igreja. O Papa quer que doentes, pessoas idosas e sós, sem capacidade de sair de casa participem no Ano Santo. Nem que seja através dos meios de comunicação social, as indulgências serão concedidas.

O mesmo é válido para os presos que "nas capelas dos cárceres poderão obter a indulgência", porque o Papa acha que o Jubileu tem de "envolver pessoas que, mesmo merecedoras de punição, tomaram consciência da injustiça perpetrada e desejam sinceramente inserir-se de novo na sociedade".

Ou os mortos que precisem de se libertar "de qualquer resíduo de culpa" para entrarem na "beatitude sem fim" podem ser recordados pelos seus familiares e amigos e receber as graças jubilares. Ou, finalmente, os membros da Fraternidade de São Pio X, os chamados Lefevristas que o Papa Francisco recupera, durante este ano, para o serviço da Igreja, reconhecendo-lhes de novo como válidos os atos de celebração da eucaristia e da absolvição dos pecados.

Mais surpreendente e que, talvez por isso, tenha tido maior destaque mediático, é a atitude do Papa perante as mulheres que praticaram o aborto. Considerado um pecado que pode mesmo levar à excomunhão e cujo perdão está consignado apenas a bispos, o Papa Francisco dá agora indicação expressa para que todos os sacerdotes possam perdoar este pecado e ouvir as mulheres em confissão. A ordem é "compreender", "acolher" e "perdoar".

"O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do sacramento da confissão para obter a reconciliação com o Pai", escreve o Papa. O aborto "é um drama existencial e moral", assume Francisco, para quem "só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança".