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Marcelo procura apoios na Madeira, Jardim reaparece na corrida presidencial

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Em fase de reflexão, Marcelo Rebelo de Sousa não esqueceu a Madeira e encontrou-se com Miguel Albuquerque num jantar no Funchal esta segunda-feira

Marta Caires

Jornalista

Um encontro de amigos, uma oportunidade para pedir conselhos, enquanto decide se avança ou não para uma candidatura presidencial. Marcelo Rebelo de Sousa encontrou-se esta segunda-feira com Miguel Albuquerque, num jantar no Funchal. O possível candidato a Belém admite que está a ouvir várias personalidades e considera a opinião do presidente do Governo Regional da Madeira importante. Se terá ou não o apoio do PSD-M, não ficou claro e Albuquerque lembrou que a estratégia do partido é deixar o assunto para depois das legislativas de 4 de Outubro.

“Se há pessoa cuja opinião e conselho é importante é o presidente do Governo Regional da Madeira porque tem uma visão própria do mundo, da Europa e de Portugal”, disse Marcelo Rebelo de Sousa nas declarações ao Diário de Notícias da Madeira. “A minha reflexão é global e esta é uma das componentes dessa reflexão. Tudo o que seja ouvir pontos de vista que são muito informados e inteligentes e conhecedores da problemática da gestão do poder político é útil”. Para já foram só conselhos e Miguel Albuquerque preferiu não falar de apoios.

Até porque, neste momento, os sociais-democratas madeirenses têm um outro candidato a Belém: Alberto João Jardim. A direcção do PSD-Madeira já fez saber que não apoiará uma eventual candidatura do antigo líder. Mesmo sem apoios declarados, Jardim não desiste. Foi ao Chão da Lagoa, fez publicar um novo manifesto a 15 de Agosto, dia da rentrée política do PSD e do discurso de Passos Coelho no jantar comício do Pontal. E volta aparecer esta terça-feira de manhã com um texto na página do Facebook, onde soma 6.890 'likes'.

De volta à corrida presidencial

Após um silêncio de 15 dias, Alberto João Jardim reaparece na corrida presidencial com um 'post' na página do Facebook a lembrar que é preciso mudar Portugal e a perguntar pelos voluntários, nas cidades e aldeias, dispostos “a dar a volta a isto”. O antigo líder do PSD-Madeira repete o apelo de 15 de Agosto e lembra que a mudança não será feita pelos partidos da situação, a grande finança, as organizações de esquerda, a comunicação social ou “os que nela têm que acautelar o seu emprego”. Se houver, terá de começar no povo.

Os temas do texto no Facebook são os de sempre de Jardim, mas o apelo à “população não comprometida” é mais acentuado. “É que ao se incentivar as bases da nação portuguesa, o povo não comprometido com este sistema político – trata-se da maioria dos portugueses – procuramos que apareçam caras novas na política, com uma atitude sã e diferente daquilo que temos, porventura a substituição de uma classe política por outra mais patriota, genuína e melhor forma”. Este é o caminho segundo as palavras do político português que mais anos esteve no poder.

A intervenção, no entanto, termina com uma ressalva e Jardim admite que só fará sentido remar contra a maré se sentir que é isso que os portugueses querem. Se querem, pede, então que se mostrem nas cidades e nas aldeias, com as tais caras novas. “Portugal não é para aventureirismos sem alicerces solidamente organizados”. Para isso,esclarece, basta ficar tudo como está, basta o sistema constitucional que, segundo insiste, falhou.

Jardim diz-se vítima de censura

O antigo presidente do Governo Regional e líder do PSD-Madeira acrescenta, já no fim do texto, que usa o Facebook dada “a censura vigente na Madeira”. A acusação de censura aparece no mesmo dia em que o 'Jornal da Madeira' sai para as bancas com nova imagem, com preço de capa – era distribuído gratuitamente - e uma nova linha editorial. Essa nova linha editorial retirou os artigos de opinião de Jardim das páginas do jornal que, no entanto, continua a ser propriedade do Governo Regional.

Durante décadas, Alberto João Jardim – director do matutino durante o PREC e antes de tomar posse como presidente do Governo Regional em 1978 – foi o principal articulista do jornal. O ex-líder madeirense foi também o maior defensor da continuação do jornal, uma empresa deficitária em termos financeiros. Enquanto presidente do Governo financiou a empresa que, neste momento, é 99% propriedade da Região. A Diocese do Funchal, o anterior dono, tem 1% e deverá sair do capital social já no próximo ano.

A estratégia de Jardim resultou num passivo de 52 milhões de euros, nove milhões são dívidas aos bancos, além de um jornal onde só o PSD tinha voz e, nos últimos, só o PSD de Jardim tinha voz. Essa é a herança que Miguel Albuquerque tem para gerir. A estratégia é renovar a linha editorial, sanear as contas e tentar privatizar no fim de 2016.