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FMI. “Não há desculpa para não reformar o Estado”

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Albert Jaeger (à esquerda) conversa com Subir Lall (outro elemento do FMI), ao lado de Isabel Vansteenkiste (Banco Central Europeu) e Sean Berringan (Comissão Europeia), durante uma reunião de membros da troika no Parlamento português, em 2014

PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP / Getty Images

Albert Jaeger, o representante do Fundo Monetário Internacional em Portugal, diz que é urgente mudar a máquina do Estado e que o trabalho do próximo Governo terá de ser esse

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Albert Jaeger considera que as reformas do sector público, financeiro e da área das insolvências são “urgentes” e que “não há tempo a perder”. Numa entrevista publicada esta segunda-feira no “Diário Económico” a propósito do encerramento da delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) no final do mês, é taxativo: “É preciso mudar a máquina do Estado e isso depende do poder interno”.

O economista, de nacionalidade austríaca, diz que segundo um inquérito feito pelo FMI às empresas, a maioria diz que “a Administração Pública não funciona como deve ser, os custos de contexto são muito altos para serem competitivos”. E pergunta: “As horas que se perdem em guichês são produtivas? Não! Os tribunais são eficientes?” As empresas consideram que não, resume.

O chefe da delegação do FMI durante os últimos quatro anos diz também que a competitividade é um problema, e que esta nunca foi uma grande preocupação para Portugal, que não vê “no ADN do processo político”.

Recados para o próximo Governo

Jaeger deixa vários recados para um próximo Governo e admite que “se poderia ter feito mais”. “Agora que o programa terminou, não há desculpa para não reformar o Estado, o trabalho do próximo Governo será esse”. O melhor funcionamento da máquina do Estado deve estar na agenda, reforça.

Outra das principais prioridades do próximo Governo é o desemprego, para o qual defende uma “solução abrangente”. “Não pode ser apenas aumentar despesa ou cortar impostos. Tem de se trabalhar no lado da procura e da oferta no mercado laboral, de se acertar os detalhes tanto ao nível dos salários mínimos, como o sistema de subsídios de desemprego. Tem de ser um pacto e criado internamente”, defende.

Para Jaeger, a terceira tarefa do próximo Executivo será a reforma do sistema de pensões, a propósito da qual defende que tem de ser feita “com um consenso político e social alargado, porque é preciso uma solução de compromisso”.

Sobre o programa propriamente dito, acha que a primeira “conquista” foi a recuperação da credibilidade, a manutenção do consenso social, a recuperação económica iniciada em 2013 e a transparência e a noção de que há constrangimentos orçamentais e que não se pode aumentar a dívida para os ultrapassar.

Mas considera que é urgente resolver o problema do endividamento das empresas (20% do emprego é assegurado por empresas com dívida elevada e que vão ter que fechar) e que o resultado de algumas reformas estruturais ficou aquém do esperado.