Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos Coelho. “Os bancos e os Governos não existem para trazer os amigos”

  • 333

Tiago Miranda

O primeiro-ministro falava no encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, num discurso que incluiu ainda críticas indiretas ao Governo de Sócrates e avisos aos partidos

“Não podemos canalizar o financiamento para proteger os maus negócios, apenas porque temos lá pessoas amigas ou que conhecemos”, afirmou este domingo o primeiro-ministro durante o discurso de encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide. “Os bancos e os Governos não existem para trazer os amigos.”

Pedro Passos Coelho olhava para as mudanças que o seu Governo implentou no país ao longo dos últimos anos e sublinhou que para que haja “progresso” e “mudança” em Portugal é necessário apostar, entre outras áreas, num “setor económico ativo e dinâmico”, sublinhando que sem financiamento não há crescimento. E deixou uma garantia: não quer voltar atrás porque agora é possível ter um regime com mais liberdade económica e financeira e política.

“Para crescer precisamos de ter financiamento e para ter financiamento temos de pôr as nossas contas em ordem. O resto, como se recordam é uma história para crianças”, afirmou ainda Passos. A expressão utilizada não é nova: o primeiro-ministro já se tinha servido dela no início do ano, para se referir às propostas do Syriza, o partido grego liderado por Alexis Tsipras.

Num discurso repleto de 'avisos' aos partidos e algumas mensagens passadas de forma indireta, Pedro Passos Coelho falou este domingo sobre as dificuldades vividas pelo seu Governo, mas sempre de olhos postos no futuro e nas legislativas de 4 de outubro.

“Não vale a pena chover no molhado”, disse, com convicção. “Não voltaremos ao regime económico assente nas obras públicas e área imobiliária que tivemos antes.” No entanto, reconheceu que é necessário “olhar para as realidades das pessoas” que ficaram desempregadas, “muitas delas com baixas qualificações”.

Passos Coelho caraterizou Portugal como um país “profundamente desigual” e acenou com a bandeira das desigualdades, defendendo a necessidade de “colocar o combate às desigualdades sociais e económicas no topo da agenda política nos próximos anos”.

Criticou ainda o Governo de Sócrates por ter falhado nas metas de escolaridade obrigatória e, num aviso aos vários partidos, adiantou que o que importante nas próximas eleições legislativas é uma escolha sobre o futuro do país e não uma “escolha partidária”.

“Por isso o CDS e o PSD fizeram uma coligação”, justificou. “O mundo não é a preto e branco e o que está em causa para o futuro não são as ideologias partidárias. Não devemos reduzir a política ao 'nós' e 'eles', às trincheiras daqueles que governam apenas para certos grupos.”