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Marcelo. Santana tinha uma “decisão difícil” e foi “persuasivo” na sua explicação

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FOTO RUI OCHÔA

Marcelo Rebelo de Sousa comenta as explicações dadas por Santana Lopes para não se candidatar à Presidência da República, defendendo que o perfil do Presidente da República não corresponde ao perfil que Santana defende. O comentador fala ainda do risco em trazer para a campanha o caso de Sócrates

Marcelo Rebelo de Sousa disse este domingo, no seu habitual comentário na TVI, que Santana Lopes foi “persuasivo” na explicação que deu para não se candidatar a Presidente da República. “Ele tinha de fazer uma escolha difícil”, acrescentou.

O comentador destaca três das razões apresentadas pelo atual provedor da Santa Casa da Misericórdia. Em primeiro lugar, porque “está num dos postos mais importantes da administração pública, com mais meios, com mais influência social”, apontou. Em segundo lugar, está o facto de ter falado com a família e com pessoas próximas que o aconselharam a não se candidatar.

Por fim, destaca Marcelo, “o perfil constitucional do Presidente da República não corresponde ao perfil que ele defende”. “Era preciso mudar a Constituição”, conclui o ex-líder do PSD, sublinhando que após as eleições e “olhando para a situação atual, vai ser difícil conseguir um acordo para rever a Constituição”.

Marcelo acrescenta ainda que "com a idade que ele tem, tem uns dez anos pela frente e pode ter futuro político daqui a cinco anos ou dez anos em termos presidenciais, se não quiser candidatar-se à Câmara de Lisboa.” O comentador disse estar “convencido” com a explicação dada por Santana Lopes, que terá escolhido este momento porque “é fim de férias” e evita assim que o seu nome continue a ser especulado.

Quanto ao que esta decisão de Santana significa, Marcelo não aprofunda, indicando apenas que “os eventuais candidatos terão exatamente as mesmas dificuldades” na tomada de decisão.

Foi a "melhor intervenção" de António Costa

Já sobre os discursos deste fim de semana, o ex-líder do PSD lembra que o momento atual “não pode ser mais quente”, até porque, na sua opinião, a campanha para as legislativas já vem de há muito tempo. “Estamos em campanha há oito meses, graças à escolha da data para as eleições.”

Sobre a 'rentrée' política do Partido Socialista, que decorreu no acampamento de jovens em Santa Cruz, este sábado, Marcelo considera que a intervenção final de António Costa “lhe saiu bem”, cobrindo a esquerda – com a escolha de António Arnaut para mandatário nacional da campanha do partido e defendendo posições progressistas – e que chegou ao centro, ao falar no Papa Francisco e em António Guterres. “Há aqui uma subtileza do discurso que faz com que seja a melhor intervenção de António Costa nesta semana.”

Ainda sobre os eventos deste fim de semana, Marcelo comentou as declarações de Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, durante a Universidade de Verão do partido, em Castelo de Vide. Em causa estão as declarações de Rangel sobre os casos de justiça em Portugal, como a investigação a José Sócrates e Ricardo Salgado, questionando se o mesmo teria acontecido se no poder estivessem os socialistas.

Marcelo considera que a referência a Sócrates “introduz dois problemas”. Em primeiro lugar, uma ideia de que a justiça possa "variar conforme o clima governamental”, considerando ter achado mal essa "politização, partidarização” da justiça.

Por outro lado, defende ser “um risco” trazer o caso de Sócrates para a campanha. “É um risco para o PSD ser o PSD a meter” o tema na campanha.

E embora considere que o caso de José Sócrates “é, em princípio, mais perigoso para o PS do que para o centro-direita”, esse risco também existe para o PSD se for “inábil” com o assunto.

O outro problema central do comentário de Paulo Rangel é, defende Marcelo, o facto de “legitimar a explicação de José Sócrates sobre a vitimização política”.