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BE. Pureza considera decisivo Portugal ser país de acolhimento de migrantes e refugiados

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José Manuel Pureza, dirigente do Bloco de Esquerda, defende que o Governo tem tido um "discurso defensivo" alertando para "prudências e cautelas", algo que "não faz nenhum sentido" quando Portugal também é um país de emigração

O dirigente do BE José Manuel Pureza disse este domingo que seria um "contributo decisivo" se Portugal fosse um país de acolhimento para migrantes e refugiados, afirmando que o Governo tem tido um discurso defensivo para agitar todas as "prudências e cautelas".

Em declarações à agência Lusa, José Manuel Pureza - que este domingo foi orador num debate do Socialismo 2015, a 'rentrée' do BE, sobre o contributo e esforço de Miguel Portas sobre o problema no Mediterrâneo - falou do "movimento imparável de pessoas que fogem da guerra, da miséria e da pobreza e têm o direito de ter uma vida digna".

"Sermos um país de acolhimento, termos essa marca, seria um contributo decisivo para o tempo que estamos a viver", defendeu.

Na opinião do cabeça de lista do BE pelo distrito de Coimbra nas próximas eleições legislativas, "o Governo português tem sido muito marcado por um discurso defensivo, que procura acima de tudo agitar todas as prudências e todas as cautelas como se viesse por aí uma invasão brutal que nos vai descaracterizar e que nos vai roubar a nossa identidade, empregos".

"Isto não faz nenhum sentido e faz menos sentido ainda pela circunstância aliás de Portugal ser, ter sido e estar a ser agora um país de emigração. Nós devemos ser os primeiros a compreender que as pessoas que se movem seja pela necessidade de ter uma vida melhor, seja porque fogem a perseguição ou a violência, o fazem porque é o último recurso que têm", sublinhou.

Para Pureza, a crise dos refugiados e migrantes "é seguramente um assunto muito mais importante do que discutir cartazes", considerando que "a frivolidade de que se fazem as pequeninas campanhas que excitam as claques é de repudiar diante da grandeza de um problema como este".

"Farei aquilo que estiver ao meu alcance para que na campanha eleitoral que está aí este problema, o problema destas pessoas, seja um problema discutido a sério, com respostas concretas, com políticas concretas porque senão passamos ao lado do essencial", garantiu.

O dirigente bloquista recordou que Miguel Portas - fundador do BE que morreu em 2012 - "distinguiu-se muito em duas dimensões da abordagem do problema do Mediterrâneo".

"A primeira, mostrar como a ilegalização e a repressão sobre movimentos migratórios num lugar apenas fazia desviar as rotas para outros lugares. Em segundo lugar, esforçou-se muito por mostrar a negação de direitos às pessoas que fogem de guerras ou de uma vida miserável", descreveu.

Na opinião de Pureza, "esse duplo esforço do Miguel tem hoje mais sentido do que nunca" perante o "movimento imparável de pessoas que fogem da guerra, da miséria e da pobreza e têm o direito de ter uma vida digna".