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As explicações de Santana: “Quem desiste é quem apresenta uma candidatura e eu nunca apresentei”

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Pedro Santana Lopes explicou à SIC Notícias porque não entra na corrida a Belém. Diz que Marcelo e Rio têm outra disponibilidade, mas que ele tem experiência que outros não possuem

“Eu estava convencido e continuo convencido que poderia fazer o melhor para o meu país. E ninguém tem mais experiência que eu em várias áreas.” Mas mesmo assim Pedro Santana Lopes não será candidato à Presidência da República. O antigo primeiro-ministro sublinhou esta sexta-feira que a sua decisão não se trata de uma desistência, pois “nunca chegou a apresentar uma candidatura”.

“Eu não desisti. Eu nunca assumi ser candidato. Quem desiste é quem apresenta uma candidatura e eu nunca apresentei. Eu disse que não admitia ser excluído das sondagens”, afirmou Santana Lopes, em entrevista à concedida à SIC Notícias.

Tendo em conta que os nomes mais falados à direita para avançar são Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio, Pedro Santana Lopes acredita que estes são candidatos com “outra disponibilidade que eu não tenho”. “A minha ponderação teve de ser: onde eu posso ser mais útil? Na Presidência da República ou na Santa Casa da Misericórdia?”

Apesar de estar fora da corrida a Belém, Santana não tem dúvidas de que conhece “a realidade do país como nenhum dos outros candidatos”, mas “devo remeter-me ao meu dever maior e não abandonar os meus deveres”.

Santana Lopes reafirma que esta foi uma decisão “muito difícil e complexa“, principalmente tendo em conta “aquilo que sempre sonhou para” o país.

Outra das justificações apontadas pelo agora não candidato é o facto de não se rever “no tipo de pré-campanha que tem sido feita para as presidenciais”. “Eu não tenho a mania que sou mais elevado do que os outros. Vejo falar quem avança, quem não avança, quem não tem dinheiro”, afirmou. “Há uma tensão muito grande no ar devido a uma disputa eleitoral. Uma democracia de truques, jogos e armadilhas. Essa política não é grande, não interessa”, afirmou.

“Quem tomou a decisão de não ser candidato não deve continuar a alimentar especulações”, prosseguiu. E disse que, no seu caso, nada teve que ver com dinheiro - diz que ele próprio financiaria a sua candidatura - ou com a concorrência: “Dinheiro não pedi a ninguém, nem ninguém pediu em meu nome. E quem diz que foi por causa de Marcelo Rebelo de Sousa não me conhece”.

Se o anúncio da sua não candidatura tivesse ficado para depois das legislativas, então “poderiam dizer que tomei a minha decisão por causa dos resultados das eleições”. O melhor timing, na opinião de Santana Lopes, para apresentar candidaturas era na “primavera, antes deste processo das legislativas”. “Este calendário não é nada favorável às presidenciais.”

Pedro Santana Lopes conta ainda que inicialmente acreditou no apoio de Pedro Passos Coelho para a sua candidatura, “mas depois percebi que não”. E refere que nunca chegaram a falar sobre o tema.

O ex-primeiro-ministro admite ter “estranhado” a candidatura de Maria de Belém. “Tenho a maior consideração, mas que estranhei, estranhei ”, diz.

Agora resta saber quem Santana Lopes irá apoiar: “Gosto imenso de Rui Rio, tenho uma relação muito cordial. Com Marcelo Rebelo de Sousa tenho uma relação de há anos. Não tem que ver com gostos pessoais. A partir do momento em que estou convencido que não posso ser eu, espero que me convençam”.

  • Santana fez bem em desistir. A pressão passa para Rio

    Pedro Santana Lopes anunciou a desistência das presidenciais. Fez bem porque clarifica a sua posição e porque ia ter dificuldades nas sondagens e no financiamento da campanha. O anúncio coloca grande pressão sobre Rui Rio, numa altura em que é evidente que Marcelo Rebelo de Sousa vai avançar e parece ser o candidato mais popular no centro-direita. Veja o comentário de Ricardo Costa