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Marinho e Pinto assume risco de ficar fora do Parlamento

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O líder do PDR na República Rápo-Táxo, em Coimbra, cidade onde vive e trabalha há mais de 45 anos e por onde faz questão de se candidatar

Nuno Fox

Chegar à AR por Coimbra é missão quase impossível. Líder do PDR admite ficar na Europa

“Só os carreiristas jogam pelo seguro”, diz Marinho e Pinto ao Expresso. O líder do Partido Democrático Republicano (PDR) assume que é difícil conquistar um lugar no Parlamento apresentando-se às legislativas como cabeça de lista por Coimbra. No melhor quadro possível, precisa de quase duplicar o seu recorde de votos — obtidos nas últimas europeias — para ter assento em São Bento. Uma missão praticamente impossível. Mas “a política é um risco”, acrescenta Marinho e Pinto garantindo que se não for eleito volta para o Parlamento Europeu, onde manterá uma “posição muito crítica” sobre o funcionamento daquela instituição europeia.

As contas não são fáceis para o líder do PDR. Cabeça de lista pelo círculo de Coimbra, precisa de cerca de 18 mil votos para conseguir um lugar de deputado da nação. Ora, nas únicas eleições a que concorreu — as europeias, pelo Movimento Partido da Terra — os votos reunidos em Coimbra foram um estrondoso recorde para o MPT, que, numa só noite eleitoral, passou de 785 eleitores em 2009, para os 10.561! Mesmo assim, faltam muitos votos. Marinho precisa de bater novo recorde e subir a parada em mais 80%. Uma tarefa difícil, senão mesmo impossível, que o candidato abraça como um causa. “Vivo e trabalho em Coimbra há 45 anos”, diz ao Expresso,“se me candidatasse por outro círculo seria um candidato mercenário e eu sou contra o comércio das candidaturas. Não sou como o Paulo Portas, que se candidata por Aveiro sem nunca lá ter vivido” conclui.

O PDR está consciente do risco de poder não ter o líder no Parlamento. E já fez contas. “Sou o que tenho mais probabilidades de ser eleito”, diz Rodrigo Sousa e Castro. O ex-capitão de Abril até jura que nem tinha “como expectativa” entrar na vida política. Muito menos para ser cabeça de lista do PDR pelo círculo de Lisboa. Mas “Marinho e Pinto pediu-me e não pude dizer-lhe que não”. Agora, está a preparar a ficha para se inscrever no partido por onde já anda no terreno a fazer campanha e já reuniu mais outros militares de Abril para integrarem a lista de candidatos a Lisboa. Fernando Condesso, fundador do PDR e ex-deputado do PSD será o número dois. Por Lisboa, as hipóteses de chegar ao Parlamento são mais fortes e até podem levar os dois primeiros nomes da lista até São Bento. A manterem-se os resultados das europeias do ano passado, só em Lisboa o MPT reuniu mais de 47 mil votos e, na verdade, o último deputado eleito por este círculo só precisou de 18 mil votos para garantir o lugar.

Um partido presidencialista

Uma vitória em Lisboa parece mais fácil de atingir, mas está longe de ser garantida. Sousa e Castro já provou no terreno da campanha como“o partido vive da liderança e do carisma pessoal de Marinho e Pinto”. E se isso é um bom cartão de visita, não chega para abrir as portas do Parlamento. “A nossa grande dificuldade eleitoral é que teremos de aplicar todo o esforço e a todo o custo, como se diz na tropa, para identificar o PDR com Marinho e Pinto”, diz o ex-militar de Abril.

O partido tem apenas seis meses de vida e as três estrelinhas que vão surgir no boletim de voto como símbolo do PDR estão longe de ser uma imagem conhecida. “Eleitoralmente, Marinho e Pinto vale mais do que o próprio partido”, diz Sousa e Castro. Para o cabeça de lista, este “é um partido de carácter presidencialista, como era o PSD de Sá Carneiro” e ainda não teve tempo para ‘colar’ a imagem do líder à da própria organização.

Não teve tempo nem tem verba, acrescenta Marinho e Pinto. A campanha eleitoral vai ser feita com poucos meios, porque“não há dinheiro para outdoors” e o acesso às televisões “é difícil” porque o partido considera estar a ser alvo de um “boicote”. Além disso, acrescenta o líder, “a lei de cobertura da campanha eleitoral é própria de um estado totalitário” ao excluir os novos partidos e limitando, assim, a transmissão da mensagem política.

A um mês das eleições legislativas, o tempo começa a escassear. A montagem da organização, a criação de delegações regionais e o fecho das listas em todos os círculos eleitorais a que o PDR pretende concorrer, condenou o partido a fechar-se em demasiadas “tarefas burocráticas e administrativas”, diz Marinho e Pinto. A chegada do verão também não ajudou, com muitos militantes de férias, que deixaram o PDR sem alguma retaguarda. O site está em atualização há dois meses. Um multiplicação de páginas no Facebook, confundem a mensagem que se pretende passar.“Há muito trabalho ainda a fazer”, diz Sousa e Castro.

Sonhar com o Governo

Arrumar a casa é uma das tarefas inadiáveis para um partido que, à beira da primeira ida às urnas, se viu a braços com uma (estrondosa) cisão interna. Eurico Figueiredo, fundador e uma das figuras de cartaz do PDR bateu com a porta, acusando Marinho e Pinto de ser um “caudilho” e de tentar criar “um partido fascista”. Com Eurico Figueiredo saíram alguns militantes, mas Sousa e Castro acha que “são as dores normais de parto no nascimento de um partido”. E, tal como ele, também o líder desvaloriza a cisão.“Não se passou nada de anormal e agora o partido até está a funcionar muito melhor”, diz Marinho e Pinto.

A imagem de paz interna é tão urgente e tão grande como a ambição eleitoral do PDR. Apesar de recém-chegado, o partido quer dar cartas na próxima legislatura, já assumiu que tem ambição de governo e que está disponível para fazer as alianças que forem necessárias para garantir uma maioria governamental. “Não somos como o PCP ou o Bloco de Esquerda” diz Sousa e Castro, para quem o PDR “não se põe de fora de qualquer compromisso político e de ser Governo, se isso trouxer benefícios para o país”. E nenhum parceiro de coligação está excluído à partida.