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Costa diz que se identifica com Ferreira Leite

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FOTO GONÇALO ROSA DA SILVA

Em entrevista ao “Sol”, Costa exclui um Governo de bloco central - só com “uma invasão de marcianos” - e convoca Seguro para a campanha eleitoral

António Costa admite que se identifica “do ponto de vista programático” com Manuela Ferreira Leite. Em entrevista ao jornal “Sol” desta sexta-feira, o socialista diz que a antiga líder do PSD é uma “pessoa moderada”.

“Com a doutora Manuela Ferreira Leite, que é uma pessoa mais moderada [do que Pacheco Pereira], digamos que há uma identidade de pontos de vista hoje muito significativa”, afirma António Costa.

Também questionado sobre a possibilidade de um Governo de bloco central, o socialista assegura que na sua opinião essa seria “uma má solução”, a não ser num caso “extremo”. “Se um dia estivermos sob a ameaça de uma invasão de marcianos, acho normal que possa haver um Governo de unidade nacional que envolva o PS e o PSD”.

Acusa PCP e Bloco de procurarem incompatibilizar-se

Já em relação a alianças com os partidos à sua esquerda, Costa diz os atos de incompatibilização não têm vindo da parte do PS. “Da minha parte, nunca pus nenhum obstáculo a um acordo com o PS. Na Câmara de Lisboa tentei fazê-lo, os comunistas recusarem sempre. Rejeito em absoluto a ideia de arco da governação, a ideia de que o poder apenas pertence ao PS, PSD e CDS, Mas constato que o PCP, assim como o Bloco, já tomaram posições públicas conta o PS. Os comunistas alimentam a ficção de que o PS é igual à direita... não é algo que dependa de nós, de mim.”

O candidato do PS acusa o atual Governo de ter aproveitado a presença da Troika para levar a cabo uma série de reformas lesivas para o país, nomeadamente na área das privatizações, acrescentando que "a fúria privatizadora do Governo ainda não está esgotada".

Pretende manter a TAP como empresa pública

Costa diz que parece da parte do Governo um "contra-relógio" para a privatização de "empresas estruturantes para o país", o que afirma verificar em relação à TAP, mas também em relação à Carris, esperando ainda chegar a formar Governo a tempo de evitar que a privatização da transportadora aérea portuguesa seja superior aos 49%, de modo a poder mantê-la como uma companhia nacional.

Considera ainda que na mira das privatizações de Passos Coelho estará o banco público: “A única explicação racional para o inqualificável ataque do primeiro-ministro à Caixa (Geral dos Depósitos) é desvalorizá-la para a seguir privatizar. Foi assim que fizeram com a TAP, foi assim que fizeram com a Cimpor, foi aquilo que fizeram com tudo o que venderam mal vendido”

Em relação ao salário mínimo nacional, afirma que em 2016, terá de ser revisto".

Quanto à União Europeia, diz não se rever no modelo da chanceler alemã, Angela Merkel, considerando que o seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, é “a alma e o músculo de uma leitura perversa do que deve ser a união monetária na Europa”.

A aselhice dos cartazes, Seguro e Sócrates

“Não estava em causa a veracidade do cartaz”, afirma também António Costa sobre a polémica dos cartazes eleitorais. Para o secretário-geral do PS, houve aselhice na escolha dos modelos, mas no entanto as histórias são reais: “Se não tivesse havido tanta aselhice não teria sido difícil encontrar quatro rostos autênticos desta história vivida”.

António Costa acredita que “as ilustrações eram erradas”, mas mais importante do que as caras “é a verdade das histórias e é para essas que temos de olhar e é para essas que temos de ter respostas políticas”.

Apesar da polémica, o socialista garante que é um assunto ultrapassado: “O que houve ali foi uma lamentável aselhice na escolha dos modelos, o que teve consequências, um pedido de desculpas e a página está virada”.

Ainda em tom de campanha eleitoral, António Costa diz que “todos os militantes do PS estão convocados para participarem ativamente na campanha”, até mesmo António José Seguro. “Não quero forçar ninguém contra a sua vontade a participar, mas desejo que todos participem e ele naturalmente, que é um militante qualificado, tenha uma participação qualificada na campanha eleitoral”, sublinha.

Houve ainda tempo para falar de José Sócrates. Caso o antigo primeiro-ministro saia em liberdade, Costa não deverá ir visitá-lo. “Estou no meio de uma campanhia eleitoral e não terei tempo para o fazer”, argumenta.