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Política

Jardim quer voluntários para se candidatar a Belém

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OCTÁVIO PASSOS

Alberto João prometeu uma entrada de leão na rentrée política e aí está um manifesto aos portugueses assinado já como candidato as presidenciais

Marta Caires

Jornalista

Em 10 perguntas aos portugueses o antigo líder madeirense insurge-se contra o situacionismo, promete defender as pensões e os salários e, por fim, lança ao desafio: onde estão os voluntários que, sem vantagem material, estão dispostos a mudar o país?

Alberto João Jardim prometeu uma entrada de leão na rentrée política e aí está o manifesto, em forma de 10 perguntas aos portugueses, assinado já como candidato as presidenciais. O tom é o habitual – por uma nova constituição, contra os partidos e os poderes instalados -, mas a pedir voluntários para “por fim ao beco sem saída” em que está o país. “Está disposto ao voluntariado cívico de, na cidade ou aldeia onde vive, sem qualquer vantagem material, responder a participar numa organização para mudar Portugal?”

O texto termina assim, mas antes fala dos “constantes abusos no lançamento de novos impostos”, defende a regionalização contra o centralismo de Lisboa, contra uma Europa decadente e das oligarquias financeiras. Não usa a palavra poder oculto, diz apenas que se tratam de organizações poderosas não transparentes. Uma das perguntas é sobre o Estado Social e contra o abuso dos cortes nos salários e nas pensões. Jardim também se interroga sobre a inflação legislativa e propõe que o Presidente da República lidere o governo. Quanto ao parlamento, esse, deve ser mais pequeno.

As 10 propostas são feitas em forma de perguntas, o manifesto é mais ou menos o que apareceu em Julho com o nome da Tomada da Bastilha. Por essa altura, soube-se que Jardim tinha uma estratégia para a sua candidatura às presidenciais : um regresso em grande na rentrée. E ele aí está no mesmo dia em que Pedro Passos Coelho discursa no jantar-comício do Pontal e, ao nível interno, Miguel Albuquerque regressa das férias para a festa de Nossa Senhora do Monte, a padroeira da Madeira. Na altura, quando se apresentou a tomada da Bastilha, o círculo mais próximo do antigo líder madeirense dizia que o mais importante era marcar a agenda e lembrar que, politicamente, Jardim não estava morto.

Os temas são os assuntos de sempre, há anos que Alberto João Jardim está contra os partidos situacionistas, que diz que não se revê nessas estruturas, que se apresenta como alguém que, apesar de ter estado quase 40 anos no poder, está fora do sistema e clama por uma nova constituição. Na verdade, Alberto João Jardim não quer apenas alterar o quadro constitucional como exige que seja referendado para que não seja um monopólio “inaceitável das cinco dezenas de políticos que formam os directórios dos dois maiores partidos”

E desta vez não existe margem para dúvidas: Jardim é candidato às presidenciais de 2016, é assim que assina as 10 perguntas a cada português.