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Coligação vai ter 5 mil bandeiras na festa do Pontal

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As bandeiras da coligação já saíram da rotativa

Nem PSD nem CDS: a rentrée de Passos e Portas vai estrear as novas bandeiras da coligação

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

A festa do Pontal, com que o PSD tradicionalmente assinala a rentrée política, já há anos que não é no Pontal; este ano nem é do PSD — os dirigentes da coligação estão empenhados em que o evento desta noite, que junta Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, seja, mais do que um comício do PSD com a participação do CDS, o primeiro grande comício com a marca Portugal à Frente (PàF). E vai vestir-se a preceito para isso: o calçadão de Quarteira vai receber cinco mil bandeiras com as cores da coligação, que correspondem ao casamento cromático dos dois partidos — o laranja do PSD e o azul do CDS, sobre um fundo branco, com a inscrição Portugal à Frente no centro do retângulo.

Marco António Costa salienta o “simbolismo desta rentrée em conjunto, que mostra bem a harmonia entre os dois partidos”. Apesar de acontecer nos moldes e no terreno da tradicional rentrée laranja, “não é uma organização do PSD, é uma organização conjunta dos dois partidos, desde a base até ao topo”, frisa o coordenador da comissão política social-democrata. O número dois do PSD não o diz, mas fica implícito: harmonia do lado da coligação, por oposição às críticas internas que se vão ouvindo do lado do PS.

A festa, que antes dos discursos inclui jantar, “vai estar a abarrotar”, garante ao Expresso uma fonte da coligação, confiante de que será uma grande demonstração de força. Bandeiras, pelo menos, não faltarão. Gente, pelos vistos, também não. O espaço, que apesar de ser ao ar livre, é delimitado e não tem acesso livre, estava previsto para 3 mil comensais — lugares que “já têm lotação esgotada”, assegura a mesma fonte. Nas últimas horas, uma das tarefas dos responsáveis do PàF foi encontrar soluções para acomodar mais gente.

A principal mensagem da rentrée, este ano, é o simbolismo do comício a dois — dando sinal de coesão e estabilidade, que é uma das linhas de força do argumentário da coligação. Por outro lado, os discursos de Portas e Passos deverão marcar o tom do que aí vem nas próximas semanas: o elogio do trabalho feito, a defesa da manutenção do rumo, o agitar dos “riscos” de um regresso do PS, que a coligação faz equivaler a um regresso da troika.

Para demonstrar os “riscos” de uma vitória socialista, PSD e CDS vão, cada vez mais, apoiar-se no programa eleitoral do PS — em particular nas diferenças entre o que foi apresentado no cenário macroeconómico encomendado aos economistas, e o que ficou no documento eleitoral. O objetivo é mostrar que, entre um documento e outro, as propostas socialistas perderam sustentação e tornaram-se mais inexequíveis. “O PS vai ter muito que explicar”, diz um responsável da coligação.