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CDS não aceita ficar fora dos debates

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Tiago Miranda

Centristas denunciam “diktat” do PS e do PCP e insistem que Portas deve ir aos debates. Participação de Passos pode estar em risco - só os dois frente a frente com Costa estão garantidos

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O CDS enviou esta sexta-feira uma carta aos diretores de informação da SIC, TVI e RTP insistindo na participação de Paulo Portas nos debates pré-eleitorais e denunciando o “diktat” do PS e do PCP, que recusaram essa possibilidade. Na carta, os centristas lembram que a proposta inicial dos três operadores de televisão incluía Portas nos planos de frente a frente, em que os líderes dos partidos com assento parlamentar debateriam todos contra todos, dois a dois - plano esse que foi inviabilizado por socialistas e comunistas.

"Uma exclusão do CDS e do seu líder, não por vontade editorial, mas refletindo vetos partidários", assinala a missiva, a que o Expresso teve acesso, assinada por Cecília Meireles, que acumula a dupla qualidade de dirigente do CDS e diretora de campanha dos centristas na coligação Portugal à Frente.

António Costa e Jerónimo de Sousa recusaram-se a debater com Portas, alegando que o CDS não é candidato às eleições, mas sim a coligação, que já está representada nos debates por Pedro Passos Coelho. Assim, na proposta mais recente enviada pelas televisões aos partidos, Portas teria apenas um debate, com Catarina Martins, do BE. “A presença residual em apenas um frente a frente não resolve a questão, visto que é a globalidade da representação, do pluralismo, do escrutínio e do contraditório democráticos que estão em causa”, diz Cecília Meireles.

O CDS lembra que é um partido fundador do regime, que sempre disputou eleições e teve representação parlamentar, e garante que, mesmo depois de ir a votos com o PSD, continuará a ter “iniciativa política e parlamentar própria”. A coligação “não constitui uma fusão de partidos”, lê-se na carta, numa frase igual ao que Pedro Passos Coelho disse sexta-feira.

Além de argumentos de representatividade e história, o CDS reclama a oportunidade de discutir com a oposição o que os seus governantes fizeram nesta legislatura à frente de “políticas públicas tão relevantes” como economia, segurança social ou emprego. “O período eleitoral é, também, o momento por excelência de escrutínio e avaliação do trabalho feito”, defendem os centristas.

Participação de Passos em risco

Em nome dos dois partidos da coligação, Cecília Meireles escreve que “ambos somos de parecer que a exclusão do CDS e do seu líder dos frente a frente e debates previstos põe em causa a pluralidade do respetivo formato”. E avisa que “o facto de haver, aparentemente, vetos de alguns partidos sobre outros altera em profundidade a qualidade democrática da proposta”.

Em causa pode estar a participação do próprio Passos Coelho nos debates. Conforme o Expresso adianta na sua edição deste sábado, só está garantida a presença do líder do PSD nos dois frente a frente com António Costa - um a ser transmitido pelas três televisões, e outro pela TSF, Renascença e Antena 1. Se Portas continuar a ser excluído, tudo o resto pode estar em risco: tanto os debates com Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, como o confronto conjunto entre os líderes dos maiores partidos.

Clique AQUI para ler na íntegra a carta do CDS