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Santana Lopes sugere que direção do INE devia demitir-se

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Luís Barra

Para Pedro Santana Lopes, o erro das estimativas do desemprego em maio teve consequências políticas complicadas. “A direção do INE não se demitiu, mas já vi demissões por coisas menores”, afirmou o social-democrata

A revisão em baixa das estimativas do desemprego para maio, em 0,8 pontos percentuais, constitui um “erro grave” por parte do Instituto Nacional de Estatística (INE), defendeu esta noite Santana Lopes.

“Devo dizer quanto ao INE que o seu erro teve consequências políticas complicadas não só pelo voto, mas pelo sentimento dos portugueses”, declarou o social-democrata na SIC Notícias.

Segundo Santana Lopes, a mudança na expectativa quanto à trajetória do desemprego é séria. “A direção do INE não se demitiu, mas já vi demissões por coisas menores”, acrescentou.

No habitual espaço de debate na SIC Notícias, António Vitorino frisou que a revisão em baixa das previsões do desemprego só causou mais polémica porque inverteu uma tendência positiva.

“Os números indicam que aparentemente houve estagnação entre maio e junho, no fundo [a taxa] não subiu nem desceu. (...) O mais preocupante é como conseguir resolver o aumento de longa duração”, observou o ex-comissário europeu.

Nessa linha, António Vitorino defende que os partidos durante a campanha para as legislativas devem apresentar as suas soluções para travar o problema. Santana também concorda.

“Isso exige mais do que uma disputa sobre o passado é [os candidatos] dizerem o que prometem fazer no futuro. Eu acho que justifica que os poderes políticos façam uma campanha junto dos gestores para sensibilizar a contratação destas pessoas, uma vez que os países ocidentais não valorizam os valores como a experiência”, considerou.

Realçando que as estatísticas durante os períodos de campanha eleitoral são utilizadas de acordo com os interesses dos partidos, António Vitorino disse, contudo, que é preciso distinguir a situação do INE com a do relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

“Cálculos há muitos e é possível fazer extrapolações”, afirmou o ex-dirigente socialista referindo-se ao alerta do organismo que apontava para um eventual desvio de 660 milhões de euros no Orçamento face à queda das receitas fiscais.