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Diretor de campanha do PS diz que os cartazes “já cumpriram a sua função”

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D.R.

“As campanhas têm sempre dois lados: o do medo e o do futuro”, afirma Ascenso Simões, mostrando-se convicto de que o “país está hoje muito melhor no entendimento de um futuro diferente”

O Partido Socialista irá retirar os cartazes de propaganda política - em que o slogan “É tempo de confiança” acompanha a imagem de uma mulher a “virar a página” e que geraram chacota nas redes sociais, onde foram comparados aos de organizações religiosas – no âmbito do planeamento que já estava estabelecido e não em reação à polémica, reitera o responsável pela campanha do partido, Ascenso Simões, numa entrevista publicada esta quarta-feira pelo “Diário Económico”.

Os cartazes “cumpriram a sua função”, afirma o ex-secretário de Estado, em declarações que vão no sentido dos esclarecimentos prestados terça-feira pela direção do PS ao Expresso, que negou que estes fossem ser retirados de imediato, referindo que sua saída irá ocorrer numa data já previamente determinada.

“As campanhas têm sempre dois lados: o do medo e do futuro. O do medo tem sucesso quando o nível de escolaridade e desenvolvimento é baixo. O do futuro quando a autonomia da sociedade é alta”, afirma, mostrando-se convicto de que o “país está hoje muito melhor no entendimento de um futuro diferente”.

O diretor da campanha socialista diz que nestas legislativas o PS vai gastar menos 40% do que em 2011, passando de 4,1 milhões para 2,5 milhões de euros, assegurando que os fundos do partido provêm apenas de militantes do partido e do financiamento público.

A aposta num tipo de relacionamento mais direto, passando pelo recurso às redes sociais, será uma das estratégias. “Regressará o porta a porta, utilizando os media, as redes sociais e o contacto pessoal”, afirma, acrescentando: “Os políticos até 2009 eram inacessíveis. Agora isso acabou. Os políticos têm de se dar no seu todo, partilhar até o universo mais íntimo com os portugueses”.

Além das redes sociais Facebook e Twitter, os socialistas vão continuar a apostar no site do partido. António Costa terá também a sua própria conta no Twitter, que será “diretamente gerida” por ele e onde dará conta “do seu sentimento na campanha, o que mais lhe agrada e desagrada”. O secretário-geral terá também uma conta no Instagram, à qual recorrerá para partilhar “lados menos visíveis da campanha, desde os bastidores, momentos de alegria, de preocupação, sucessos e insucessos da sociedade”.

Defende Ascenso Simões a chave para uma campanha, que requer maior celeridade: uma “mensagem simples e capacidade de a multiplicar”.

As questões da política europeia vão ser “centrais nesta campanha, não é só a Grécia” e o partido irá defender ser “possível ter outro posicionamento na Europa”. Aos eleitores, diz o diretor de campanha dos socialistas, será feito um apelo “ao voto responsável”, considerando que o PS é o único partido que se encontra em condições de poder obter a maioria absoluta.