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CDS acusa PS de se julgar “dono das televisões e dos debates”

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Nuno Botelho

Paulo Portas não gostou de ficar fora dos debates televisivos. Fonte da direção centrista aponta o dedo ao PS por “querer interferir na decisão editorial das televisões, que queriam incluir Portas

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Paulo Portas está fora dos debates pré-eleitorais entre os líderes partidários, e não gostou. Por causa da coligação com o PSD, o presidente do CDS não entra no debate final, que será a quatro (Passos Coelho, António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins) mas, quando ainda se afinam os frente a frente nos canais de cabo, os centristas continuam a pressionar para que o seu líder possa entrar nos confrontos bilaterais com o PS, o PCP e o BE.

Depois de duas semanas de braço-de-ferro em que a principal resistência à participação de Portas veio dos socialistas, fonte da direção centrista não poupa nas acusações: “É absolutamente surpreendente que o PS, no espaço de poucas semanas, passe de uma posição em que jurava aceitar o critério editorial das televisões para efeitos de debates, para a posição oposta, que é a de querer interferir na decisão editorial das televisões. Estas propuseram - como á aliás tradicional – um conjunto de frente a frente entre os líderes do PSD, PS, CDS, PCP e BE. Nós aceitámos essa proposta, mas o PS não faz outra coisa senão fugir desses frente a frente que permitem confrontar democraticamente várias opiniões. O respeito do PS pela liberdade editorial não passou a prova dos factos: acham-se donos das televisões e dos debates”, lê-se num comunicado do partido que remete as declarações para "fonte da direção".

“É no mínimo anómalo que o PS critique o CDS e o seu líder dia sim dia sim, e depois recuse debater democraticamente com ele”, diz a mesma fonte da direção dos centristas. “No fundo, o PS ataca o CDS mas tem um qualquer receio de debater com o CDS os factos e os argumentos. Em bom português, a posição do PS de recusar debates com o líder do CDS é toca e foge: ataques a solo, sim; confronto direto e cara a cara, nem pensar. De que tem medo o PS?”, questiona a mesma fonte.

Os centristas veem “uma deriva de controleiros nesta relação do PS com a comunicação social”, além de uma “deriva de arrogância na relação do PS com os adversários políticos”.

“O que o PS diz não se escreve”

Recordando palavras de António Costa, que em tempos, numa entrevista, criticou o atual modelo dos debates quinzenais, a mesma fonte considera que “a recusa do PS em aceitar os debates propostos pelas televisões é preocupantemente parecida com a vontade do líder do PS de acabar com os debates quinzenais na Assembleia da República. Em ambos os casos é uma visão monocórdica da democracia que está em causa”.

E não fica por aqui o cotejo entre o que o PS disse no passado e faz agora. Os centristas lembram as declarações do deputado socialista Jorge Lacão, quando estava em debate as regras para os debates e a cobertura mediática das eleições: “O princípio é o da liberdade editorial e é de acordo com a liberdade editorial que os órgãos de comunicação social estabelecerão os debates que, em seu critério, fazem sentido”, disse então Lacão. “Pelos vistos, o que o PS diz não se escreve, porque a atitude do PS tem sido a de recusar ou condicionar os debates propostos pelas televisões”, conclui o CDS.