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Secretário Regional da Saúde da Madeira demitiu-se

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Primeira baixa no governo de Miguel Albuquerque. Manuel Brito apresentou a demissão depois de se saber que detinha uma quota de 0,008% numa clínica privada

Marta Caires

Jornalista

A demissão de Manuel Brito, médico e um dos independentes no executivo regional, surge após se saber que detinha uma quota de 0,008% numa clínica privada no Funchal. O pedido de exoneração foi aceite por Miguel Albuquerque, que já nomeou um novo titular da pasta. A saída do secretário da Saúde acontece ao fim dos primeiros 100 dias de novo governo regional.

A decisão de deixar o governo regional foi do secretário regional assim que se soube que mantinha ligações à Clínica da Sé, uma unidade privada de saúde. Manuel Brito tem uma quota de 0,008% desta sociedade há 30 anos, altura em que foi formada a clínica. Tão antiga que se terá esquecido dessa participação, da qual nunca terá recebido dividendos. O ex-secretário também esteve ligado a outra clínica privada - de Santa Catarina - da qual se desvinculou entretanto.

O caso assumiu ainda mais dimensão porque o secretário da Saúde foi apresentado por Miguel Albuquerque como um médico sem ligações ao sector privado e aos interesses privados. O próprio Manuel Brito, que esteve a administração de Saúde de Lisboa, garantiu em entrevista ao Diário de Notícias da Madeira, que não exercia medicina privada desde 2008 e que não tinha qualquer ligação a clínicas privadas.

A quota esquecida de 0,008% na Clínica da Sé veio mostrar que afinal tinha e, posto perante evidência, o secretário da Saúde apresentou a demissão da Miguel Albuquerque. A questão de princípio terá norteado a decisão. Não seria possível manter-se no governo, pairando a suspeição de que tinha ligações a privados, que poderia não haver isenção na defesa do interesse público.

Para evitar uma crise e instabilidade num sector sensível, o secretário da Saúde apresentou a demissão que foi aceite por Miguel Albuquerque. João Faria Nunes, também médico, militante do PSD e apoiante de Albuquerque nas eleições internas, é o novo secretário de uma área onde há muitas dívidas, um hospital velho, listas de espera nas cirurgias e falta de medicamentos e vacinas.