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Catarina Martins critica números do Governo e calcula "quase 1 milhão" de desempregados

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Marcos borga

"Quando o Instituto Nacional de Estatística (INE) nos diz que há 630 mil desempregados no país, diz-nos que há 630 mil pessoas que estão a ser consideradas desempregadas", acrescentou, lembrando que há mais 258 mil pessoas que são consideradas inativas, mas que "gostariam de estar empregadas"

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, criticou esta sexta-feira em Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira, os números do desemprego apresentados pelo Governo, alegando que há "quase um milhão" de desempregados.

"Eu bem sei que o Governo tem dito que o desemprego está a descer, o que o Governo não consegue explicar é esta coisa extraordinária de, estando a descer a taxa de desemprego, haver cada vez menos taxa de emprego em Portugal", disse Catarina Martins durante uma sessão pública que decorreu no Largo da Barbacã, em Vila Nova de Milfontes.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) esclareceu, explicando que, se se olhar "para o número de pessoas que estão empregadas, há muito menos hoje do que antes". "Quando o Instituto Nacional de Estatística (INE) nos diz que há 630 mil desempregados no país, diz-nos que há 630 mil pessoas que estão a ser consideradas desempregadas", acrescentou, lembrando contudo que há mais 258 mil pessoas que são consideradas inativas", mas que "gostariam de estar empregadas", não estando no entanto "registadas nos centros de emprego".

Para o cálculo da taxa de desemprego, "essas pessoas não entram", fez questão de destacar, lembrando que a essas se juntam "as que têm saído do país", contabilizando no último ano, cerca de 134 mil emigrantes. "Se às 636 mil pessoas que o Governo reconhece que estão no desemprego somarmos as 258 mil pessoas que o INE diz que são inativos que gostariam de ter emprego, e que não aparecem nas estatísticas, se somarmos ainda as 134 mil pessoas que abandonaram o país só no ano passado, vemos que o número de desempregados chega a quase um milhão de pessoas", argumentou.

Além do desemprego, Catarina Martins apontou também o dedo ao trabalho precário, anunciando como uma das propostas do BE a defesa do "direito ao contrato de trabalho", criticando os "estágios" financiados pelo Estado, bem como os "contratos emprego-inserção". "Se os números do desemprego escondem a realidade brutal de um milhão de pessoas em Portugal que não tem emprego, os números do emprego escondem também a realidade brutal de uma qualidade de emprego que vem a cair", alertou, alegando que basta "decência" para que "não haja trabalho que não é pago".

"É por isso que uma das primeiras propostas do BE - e para esta garanto-vos que não é preciso dinheiro, é só preciso decência -, é que todas as pessoas que estão num posto de trabalho tenham direto a um contrato e a um salário", disse.

Catarina Martins falou após Mariana Aiveca, cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Beja nas eleições legislativas de outubro, que até aqui tem sido candidata, e eleita desde 2005, por Setúbal. Na sessão pública, uma de várias que o partido pretende promover pelo país durante o verão, foram apresentados os vários candidatos do círculo eleitoral de Beja na lista do BE, composta por Pedro Gonçalves, de Odemira, Inês Monteiro, de Beja, Carlos Valente, de Serpa, Cristina Ferreira, de Almodôvar, e José Pedro, de Beja.