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Santos Silva acusa diretor de Informação da TVI de ser o “ayatollah” de Barcarena

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Diretor de Informação da TVI refuta ponto por ponto a tese de Augusto Santos Silva (na imagem)

Daniel Rodrigues

Sérgio Figueiredo disse que Augusto Santos Silva “foi despedido por ser malcriado”. Ex-governante socialista, que qualifica o seu afastamento como um ato de “censura”, considera que a resposta de Sérgio Figueiredo roça a “boçalidade” e está cheia de “erros e mentiras”

O ex-ministro socialista Augusto Santos Silva acusa o diretor de informação da TVI de prepotência e autoritarismo, num artigo de opinião publicado esta quarta-feira no “Diário de Notícias”, que surge como mais um episódio do folhetim desencadeado pelo fim do seu espaço de comentário na estação televisiva, no programa “Os porquês da política”.

“Para ele [Sérgio Figueiredo, diretor de Informação da TVI], os espaços de análise e opinião são para avençados às ordens, os contratos são favores concedidos a pedintes, os diretores são imperadores absolutos, sem contas a prestar a ninguém. A mensagem é: se te pago sou teu dono. É também isto que denuncio como 'clima de sufoco' e foi também por isto que a minha voz se tornou demasiado incómoda”, escreve o ex-governante.

“O ‘ayatollah’ de Barcarena” é o titulo do seu texto, que responde ao artigo publicado esta segunda-feira no mesmo jornal por Sérgio Figueiredo, na sua crónica semanal.

O diretor de informação da TVI afirmara que Santos Silva “não voltou à TVI24 por ser malcriado e não porque a sua voz é incómoda”, acrescentando que não era a liberdade de expressão que estava em causa, “mas é de decência que se trata e da ética que tanto apregoa. Há limites para tudo”.

“Quem é cobarde nesta história?”

No artigo publicado no “Diário de Notícias”, Sérgio Figueiredo contou que, face ao descontentamento de Santos Silva perante as constantes alterações de horário do programa, lhe enviara um email sugerindo uma conversa para encontrar uma solução, mas que o ex-governante respondeu acusando-o de cobardia em declarações proferidas em direto na TVI24. Uma atitude que Sérgio Figueiredo considerou ser a gota água e que se somou aos comentários depreciativos que Santos Silva efetuara no Facebook.

“Quem é cobarde nesta história? Quem bate pelas costas? Quem marca uma conversa em privado atira uma pedra sem avisar e sem pudor? Quem põe em xeque um amigo, que conduz um programa em direto, é apanhado de surpresa com ataques que estão a fazer à sua direção e à empresa em que trabalha? E como qualificar um homem que entra em nossa casa, senta-se à mesa, aceita o prato que lhe dão, não pára de cuspir para o chão e, ainda assim, recusa-se a sair e ainda se diz vítima da situação?”, escreveu Figueiredo no “Diário de Notícias”, num artigo intitulado “Para acabar de vez com um monólogo patético e deprimente”.

“Erros e mentiras

Esta quarta-feira de manhã, Santos Silva reage considerando que o artigo do diretor de Informação da TVI “roça inúmeras vezes a boçalidade, está cheio de erros e mentiras”.

Afirma que após a publicação de um comentário no Facebook, respondera ao email acertando a conversa com a direção da TVI para o dia da emissão seguinte, mas antes da mesma recebeu uma mensagem que “prenunciava a rescisão”, dizendo por isso que quem está a mentir é Figueiredo.

“A razão do meu afastamento da TVI24 não é, pois, nenhuma deslealdade. É punição por suposto delito de opinião. Suposto, sim. Primeiro, eu devo explicações aos meus espectadores. Foi o que fui fazendo no Facebook, foi o que fiz na emissão subsequente na TVI24. Não há nada no contrato que ainda me liga à TVI que me impeça de usar o Facebook ou de analisar, em qualquer sede, o comportamento da própria TVI”, escreve Santos Silva.

Entre os motivos do seu descontentamento, esteve o cancelamento do seu programa no passado dia 14, por mudanças de programação na TVI24, justificadas com a necessidade de mudanças na grelha de programas devido à entrevista que o primeiro-ministro concedera à SIC. O canal optou por transmitir nesse dia uma programa especial de análise à entrevista de Passos Coelho.