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TVI. “Santos Silva foi despedido por ser malcriado”

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Diretor de Informação da TVI refuta ponto por ponto a tese de Augusto Santos Silva (na imagem)

Daniel Rodrigues

Sérgio Figueiredo, diretor de Informação do canal televisivo, justifica porque cessou o contrato de colaboração com o comentador político socialista

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O diretor de Informação da TVI escreve esta segunda-feira que Augusto Santos Silva, ex-ministro, “não voltou à TVI24 por ser malcriado e não porque a sua voz é incómoda”, como este havia sugerido num post da sua página de Facebook há algumas semanas. Sérgio Figueiredo escreve no “Diário de Notícias”, na sua habitual coluna de opinião.

Figueiredo, que intitula a sua crónica “Para acabar de vez com um monólogo patético e deprimente”, refuta ponto por ponto a tese de Santos Silva, dizendo que não é a liberdade de expressão que está em causa, “mas é de decência que se trata e da ética que tanto apregoa. Há limites para tudo”, afirma.

Depois de um longo prólogo em que tece considerações sobre cobardia, corrupção, “mentira descarada” e narcisismo, sem nomear a quem se refere, o diretor de informação da TVI diz que se considera alvo de uma campanha “persistente, insistente, obsessiva, insultuosa”, que o acusa de censura, prepotência e cobardia.

Sérgio Figueiredo revela o conteúdo de um email que enviou a Augusto Santos Silva a 18 de junho, em resposta às reclamações deste pelas constantes alterações de programação, reiterando a vontade de o manter como comentador na televisão, mas que o novo estilo de gestão que quis imprimir ao canal de televisão implica mais agilidade, pelo que acontecimentos de última hora e a sua análise passaram a ter prevalência sobre rubricas fixas, como era o caso da do ex-minsitro socialista.

O diretor de informação da TVI sugere também uma conversa a três (juntamente com o jornalista Paulo Magalhães, que dividia o espaço da rubrica com Santos Silva), para se encontrar uma solução onde os problemas sentidos por Santos Silva pudessem ser minorados.

Aparentemente, a resposta a tais emails, na versão de Sérgio Figueiredo, foram mais ataques que acusa de “cinismo hipócrita e falta de escrúpulos” e que visavam, no fundo, “criar um caso”. As declarações que Santos Silva fez em direto na TVI24 sobre o seu caso, acusando-o de cobarde foram a gota de água.

“Quem é cobarde nesta história? Quem bate pelas costas? Quem marca uma conversa em privado, atira uma pedra sem avisar e sem pudor? Quem põe em xeque um amigo, que conduz um programa em direto, é apanhado de surpresa com os ataques que estão a fazer à sua direção e à empresa em que trabalha? E como qualificar um homem que entra em nossa casa, senta-se à mesa, aceita o prato que lhe dão, não pára de cuspir para o chão e, ainda assim, recusa-se a sair e ainda se diz vítima da situação?” interroga Sérgio Figueiredo.

“Há limites para tudo e, até hoje, evitei participar neste exercício de vitimização deprimente e patético”, conclui o diretor de informação da TVI, segundo o qual o comportamento de Santos Silva “revela a raça de um egocêntrico”.