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Pires de Lima diz que Costa “deu um monumental tiro no pé”

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Pires de Lima considera que os cenários de crescimento do PS são “fantasistas e voluntaristas”, por contraponto às projeções económicas do Governo, em cuja “prudência” se revê

NUNO ANDRÉ FERREIRA / Lusa

O ministro da Economia considera que a redução da TSU que consta do programa do Partido Socialista resulta de “construções mentais voluntaristas” e que os cenários de crescimento deste são “fantasistas”

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Pires de Lima considera que a proposta de redução da TSU feita pelo PS é "um monumental tiro no pé" porque resulta de "construções mentais voluntaristas por parte do grupo de economistas que produziu o programa de Governo do PS", na medida em que põe em causa a sustentabilidade da Segurança Social.

Pires de Lima, que foi entrevistado pelo Diário Económico/Antena Um, acusa além do mais o PS de não estar a "pautar-se por critérios de responsabilidade" em matéria fiscal, por não ter respeitado os compromissos e contestar agora a descida do IRC que, para o ministro, é "a prioridade das prioridades".

Nessa mesma linha, afasta a possibilidade de descer o IVA da restauração. Para o ministro da Economia, a primeira prioridade é a descida do IRC, depois "a reforma e moderação fiscal ao nível dos rendimentos do trabalho, o IRS", a eliminação da sobretaxa e só então - sublinha - deve surgir "uma eventual redução do IVA como terceira prioridade”.

Ainda relativamente ao PS, Pires de Lima considera que os seus cenários de crescimento são “fantasistas e voluntaristas”, por contraponto às projeções económicas do Governo, em cuja “prudência” se revê.

“Acho bastante ousado e pouco prudente os discursos políticos que constroem um conjunto de cenários macroeconómicos e, nomeadamente, de evolução da despesas públicaem função de um crescimento económico que os políticos não podem garantir”, afirma.

“Cumpri o meu papel”

Pires de Liima recusa dizer se está disponível para continuar na pasta, no cenário de eventual vitória da coligação. “Depois destes dois anos e quatro meses, em boa medida terei cumprido o meu papel e a minha missão”, afirma, dizendo que não lhe compete “pôr-se em bicos de pés”.

Quanto à eventualidade de não haver maioria absoluta e à possibilidade de fazer coligações para além da atual, o ministro recusa-se a fazer “cenarizações teóricas sobre cenários que não queremos que aconteça”.

Segundo Pires de Lima, os dois partidos estão a lutar por um Governo de maioria do PSD e do CDS e com apoio parlamentar estável. “A coligação é uma coligação para ganhar as eleições e governar”, afirma, acrescentando que não é útil estar a teorizar sobre aquilo que fará qualquer um dos partidos da coligação, na hipótese que não deseja e que acha indesejável, o de não ganhar eleições.