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Canais propõem três frente a frente entre Passos e Costa

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Proposta apresentada aos partidos prevê ainda um debate único entre todas as candidaturas e uma ronda de frente a frente entre todos os candidatos. Decisão sobre se Portas participa nos debates ou se Passos será o único representante da coligação Portugal à Frente está ainda em aberto. Nova reunião entre canais e partidos agendada para a próxima terça-feira

Alberto Frias

Os canais de televisão apresentaram esta sexta-feira aos partidos com assento parlamentar uma proposta conjunta para os debates televisivos a realizar no período de campanha eleitoral para as próximas legislativas.

O documento entregue aos partidos - numa reunião realizada esta sexta-feira de manhã nas instalações da RTP -, propõe três frente a frente entre Passos Coelho e António Costa, um debate único entre todas as candidaturas e uma série de frente a frente entre todos os candidatos.

Os três debates entre Passos e Costa teriam a duração de 50 minutos, seriam emitidos alternadamente na RTP1, SIC e TVI e teriam um âmbito temático em cada estação. O debate único entre todas as candidaturas seria realizado em espaço neutro - eventualmente com público - e disponibilizaria o sinal para todos os meios (incluindo canais de cabo e estações de rádio). A ronda de frente a frente entre todos os candidatos teria emissão sorteada entre as várias estações.

A proposta vai agora ser analisada pelos partidos, tendo ficado já agendada uma nova reunião para terça-feira, onde serão discutidas eventuais sugestões de alteração. Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, os canais assumiram mesmo na reunião desta sexta-feira total abertura para que a proposta inicial seja revista.

Até porque além das questões logísticas e de agenda que é preciso articular entre as estações e os partidos - inclusive com outras propostas que já terão sido feitas para debates entre Passos e Costa na Renascença, Antena 1 e TSF - , existem ainda algumas questões cuja definição está unicamente nas mãos dos partidos.

Nomeadamente a decisão sobre se estes debates devem contar com a participação de um representante por cada candidatura ou se devem contemplar os líderes de todos os partidos representados na Assembleia da República, independentemente de se apresentarem nas legislativas integrados numa coligação. Ou seja, os debates terão apenas Passos Coelho como líder da coligação Portugal à Frente ou integrarão também Paulo Portas como líder do CDS?

Na nova lei da cobertura jornalística em período eleitoral - promulgada quinta-feira pelo Presidente da República -, o artigo referente à organização dos debates televisivos estipula que estas iniciativas editoriais devem ter em conta a representatividade na Assembleia da República, mas fala em "candidaturas" e não em partidos.

O Expresso sabe que os canais não têm uma posição fechada sobre o assunto. Mas há quem considere que faz pouco sentido organizar uma série de debates que tenha de incluir um frente a frente entre Portas e Passos, quando estes estão coligados. O mesmo é válido para a redundante inclusão de dois representantes da mesma candidatura num debate único entre todas as listas.

Até porque, sublinham as fontes ouvidas pelo Expresso, a abrir-se essa exceção, a CDU (que junta PCP e Os Verdes) também teria o direito a invocar a presença dos líderes de ambos os partidos nos debates. Um contexto que poderia levar o PS e o BE a sentirem-se prejudicados ao nível da representatividade neste ciclo de debates.

Uma das hipóteses que poderá estar em cima da mesa para contornar esta questão é a possibilidade de as coligações se fazerem representar por diferentes líderes partidários consoante o debate.

Os canais esperam que exista uma definição sobre o tema até à reunião de terça-feira, na medida em que temem que o arrastamento de decisões comece a atrasar a calendarização dos debates e a colocar em causa a sua viabilidade.