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Presidente das Mulheres Socialistas demite-se

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Isabel Coutinho apresentou esta quinta-feira a demissão do cargo de presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas.A decisão surge depois de, pela primeira vez na história da organização, esta não ter representação nas listas de candidatos a deputados

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

A presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas (DNMS) apresentou a sua demissão do cargo, depois de o seu nome não constar das listas de candidatos a deputados. "Não encontro neste momento e mediante o desrespeito demonstrado, qualquer sentido para manter a liderança", justifica a professora de 47 anos, natural de Vila das Aves, que presidia ao Departamento Nacional das Mulheres Socialistas desde há ano e meio.

Créditos: http://mulheres.ps.pt

"Demito-me, nas atuais circunstâncias, por entender ser esta a única solução, criando assim condições para que possa o secretário-geral ter uma presidente mais do seu agrado e que melhor sirva os seus propósitos", afirma em comunicado enviado às redações.

Isabel Coutinho apoiou António José Seguro nas primárias de setembro, o que não foi bem aceite por outras socialistas que a acusaram de estar a prejudicar a autonomia do Departamento e tentaram antecipar eleições na organização. Perante a crescente pressão para se demitir, a presidente das Mulheres Socialistas afirmou, em janeiro, numa reunião da Comissão Nacional, que levaria o seu mandato (que só terminaria no final deste ano) até ao fim.

Agora, perante a inédita ausência de representação do DNMS nas listas de candidatos à Assembleia da República, explica que se demite por não ter sido este órgão "merecedor do necessário respeito institucional por parte do secretário-geral". E acrescenta: "a forma como o DNMS foi, ao longo dos últimos meses, sucessivamente desconsiderado é a prova real de que as convicções e a defesa dos princípios se pagam com indiferença e exclusão".

Na terça-feira, na reunião da Comissão Política que aprovou as listas, Isabel Coutinho já abrira porta à demissão, que veio a consumar esta quinta-feira, depois de ter reunido com o seu secretariado. Na ocasião lamentou: "Num momento em que se quer dar um sinal de reforço da participação das mulheres nas listas do PS e, por conseguinte, na sua implicação na sociedade, depois de nas últimas eleições europeias termos apresentado, pela primeira vez, uma lista paritária, não deixa de constituir uma enorme nódoa para o PS que a representação efectiva do Departamento das Mulheres Socialistas seja excluída das listas". E afirmou mesmo não ter dúvidas que a sua exclusão se devia apenas e só por ter apoiado Seguro, "de forma leal e convicta". "S é esse o preço que o Secretário-geral do PS me faz pagar pelas minhas legítimas opções, que assim seja!", afirmou nessa noite, garantindo porém que não aceitaria que a estrutura fosse "penalizada por questões pessoais".