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Costa vê em Cavaco “o aliado do Governo”. “Que o Presidente termine com a maior dignidade as suas funções”

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Mário Cruz / Lusa

Depois do discurso de Cavaco ao país, interpretado em vários meios como um aviso de que não dará posse a um Governo minoritário, o secretário-geral do PS disse estar perante “um novo critério não constitucional”. “Ficou claro que o Presidente da República tem um campo: é o aliado deste Governo e, pelos vistos, gostaria que o PS fosse aliado deste Governo.” Questionado se o Presidente é uma força de bloqueio, lembrou palavras do próprio Cavaco a propósito de Mário Soares

O secretário-geral do PS afirmou esta quinta-feira que é preciso ajudar o Presidente da República a terminar com dignidade a sua longa carreira política, aliviando-lhe problemas com uma maioria absoluta socialista e impedindo-o de usar critérios "não constitucionais".

António Costa falava aos jornalistas após ter participado num almoço promovido pelo International Club of Portugal, em Lisboa, que contou com a presença de dezenas de representantes do corpo diplomático e, entre vários socialistas, da ex-presidente do PS Maria de Belém.

Confrontado com a mensagem ao país proferida pelo chefe de Estado, quarta-feira à noite - interpretada em vários meios como um aviso de que o Presidente da República poderá não dar posse um Governo minoritário -, o secretário-geral do PS disse estar perante "um novo critério não constitucional", ao qual os socialistas "responderão com a força democrática do voto dos portugueses".

"Tenho hoje a certeza absoluta que o PS terá uma determinação ainda maior do que nunca de vencer com uma maioria absoluta. E também tenho a certeza absoluta que os portugueses que anseiam não só a mudança de Governo, como também uma mudança de políticas, votarão massivamente no PS para que tenha uma maioria que impeça o Presidente da República de não deixar formar o executivo que será escolhido pelos portugueses", disse.

Depois, António Costa foi interrogado se considera o Presidente da República uma força de bloqueio. O secretário-geral do PS aplicou então a mesma reação política que o antigo primeiro-ministro, Cavaco Silva, aplicara em relação ao então chefe de Estado, Mário Soares, em 1994.

"O professor Cavaco Silva está no fim da sua carreira política já bastante longa, está a poucos meses do fim do seu mandato e, como ele disse em tempos a propósito de outro Presidente da República, devemos aliviá-lo dos problemas e deixá-lo terminar com a maior dignidade as suas funções. A melhor forma dos portugueses ajudarem o professor Cavaco [Silva] a concluir o seu mandato, sem problemas acrescidos, é darem mesmo uma maioria ao PS", respondeu o secretário-geral socialista.

“PR tem um campo: é o aliado deste Governo”

Pedro Nunes / Lusa

Ainda em relação à mensagem ao país do Presidente da República, o líder socialista disse ter percebido das palavras de Cavaco Silva "que a direita já não acredita que possa alcançar a maioria absoluta nas próximas eleições".

"Ficou claro que o Presidente da República tem um campo: é o aliado deste Governo e, pelos vistos, gostaria que o PS fosse aliado deste Governo para o ajudar a prosseguir as suas políticas além deste mandato. Porém, como 70% dos portugueses não querem este Governo, há uma enorme oportunidade para que esta vontade de mudança não seja bloqueada pelo Presidente da República. Há uma forma simples de conseguir isso: votar no PS", sustentou.

Neste contexto, António Costa disse não colocar o cenário sobre o que fazer se o PS vencer sem maioria absoluta as eleições, alegando já ter ficado claro, sobretudo após a intervenção do Presidente da República, que "todos aqueles que não querem ver a sua vontade bloqueada por Cavaco Silva têm de votar no PS".

"Ao introduzir um novo critério não constitucional para a formação do novo Governo, o que o Presidente da República fez foi dizer aos portugueses que quem mudar de política e de Governo deve votar no PS. Desta forma, para não ficarmos a aguardar pela mudança do Presidente da República, a solução para garantir uma mudança de Governo é votar no PS", insistiu o líder socialista.

António Costa deixou ainda mais um aviso sobre o que poderá fazer o chefe de Estado após as eleições de 4 de outubro: "O PS garante aos portugueses uma mudança de política, sem que a vontade dos eleitores seja bloqueada pelo Presidente da República, por dispor de condições para alcançar uma maioria. Uma maioria que impedirá o senhor Presidente de inviabilizar a formação de um Governo que corresponda à vontade dos portugueses", acrescentou.

artigo atualizado às 17h23