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Passos sobre declarações de Juncker: há uma “meia-verdade” e um “meio mal-entendido”

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O primeiro-ministro contrariou as declarações de Jean-Claude Juncker

FOTO MIGUEL A. LOPES/LUSA

Passos Coelho considera que o presidente da Comissão Europeia interpretou mal a oposição do país a um alívio da dívida grega. Jean-Claude Juncker disse que os governos ibéricos não queriam que esse assunto fosse discutido antes das eleições

O primeiro-ministro português considerou hoje que “deve haver alguma confusão do presidente da Comissão Europeia” ao ter afirmado que Portugal se opôs a que um alívio da dívida pública grega fosse discutido antes das eleições legislativas.

Pedro Passos Coelho disse hoje em Lisboa, em resposta a perguntas dos jornalistas, que o que estava previsto era que as negociações ocorressem no final de outubro: “Essas negociações aconteceriam sempre depois das eleições em Portugal. Há uma meia-verdade e um meio mal-entendimento [sic]”.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, revelou, numa entrevista ao diário belga “Le Soir”, hoje publicada, que Portugal se opôs a que um alívio da dívida pública grega fosse discutido antes das eleições legislativas.

Numa entrevista focada nas longas negociações com a Grécia, que segundo o presidente do executivo comunitário só terminaram com um acordo devido ao “medo”, Juncker, questionado sobre a questão da (in)sustentabilidade da dívida grega, revelou que, pessoalmente, pretendia que uma discussão sobre a questão tivesse ficado desde já agendada para outubro, ideia que mereceu a oposição de Irlanda, Espanha e Portugal.

A elevada dívida pública da Grécia, que representa cerca de 180% do PIB, ou seja, quase o dobro da riqueza produzida, foi uma das questões mais polémicas ao longo das longas negociações entre Atenas e os credores internacionais, dividindo mesmo as instituições, com o Fundo Monetário Internacional a reclamar um alívio ou mesmo perdão parcial da dívida, que classifica da insustentável, algo que é rejeitado por países como a Alemanha.

No compromisso finalmente acordado a 13 de junho, na cimeira da zona euro, sobre um terceiro programa de assistência à Grécia, ficou consagrado que a questão da dívida - que poderá vir a ser aliviada através de um prolongamento dos prazos de pagamento e redução dos juros aplicados - será analisada apenas depois da primeira avaliação ao terceiro programa de assistência, se esta for satisfatória.

Portugal e Espanha têm eleições legislativas este ano, sendo que, no caso português, a data do sufrágio terá de se realizar entre 14 de setembro e 14 de outubro, a qual será hoje anunciada pelo Presidente da República.