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Cavaco defende Passos e contraria Juncker: Portugal não se opôs a um alívio da dívida grega antes das eleições

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O Presidente da República, Cavaco Silva, conversa com militares da Companhia de Formação durante a sua visita à Escola de Armas do Exército (Escola Prática de Infantaria), em Mafra, esta quarta-feira

FOTO Tiago Petinga / Lusa

Presidente da República socorre-se das informações que tem para comentar e contestar o que disse o presidente da Comissão Europeia. E, ressalva, nesta altura admite-se uma extensão de prazos e não um perdão: “O chefe de Estado ou do governo quer chegar ao seu país e não ter de dizer aos seus contribuintes que têm de pagar para a Grécia não cumprir os seus compromissos em termos de reembolso”

Depois de Passos Coelho, também Cavaco Silva contraria as declarações de Jean-Claude Juncker. O Presidente da República diz desconhecer a oposição de qualquer país à discussão do alívio da dívida grega em outubro, como sugere o líder da Comissão Europeia, em declarações numa entrevista publicada esta quarta-feira no jornal belga “Le Soir”.

“Isso não corresponde àquilo que os chefes de Estado e do governo têm confirmado, isso não corresponde àquilo de que tenho informação”, disse Cavaco Silva esta quarta-feira tarde, à margem de uma visita a uma Escola de Armas do Exército, em Mafra.

O chefe de Estado sublinha que o documento saído da cimeira da zona euro referia ser preciso aguardar pelas condições para negociar o Mecanismo Europeu de Estabilidade. “Isso não tem qualquer relação com eleições em Portugal, Espanha ou outro país”, garantiu.

Segundo Cavaco Silva, todos os países da zona euro defendem que nesta altura não deve ocorrer uma reestruturação da dívida no sentido da redução do seu valor monetário [perdão da dívida], ou seja, o que pode haver é uma extensão dos prazos de amortização e redução dos juros. “O chefe de Estado ou do governo quer chegar ao seu país e não ter de dizer aos seus contribuintes que têm de pagar para a Grécia não pagar os seus compromissos em termos de reembolso”, acrescentou.

O Presidente da República, Cavaco Silva, conversa com militares da Companhia de Formação durante a sua visita à Escola de Armas do Exército (Escola Prática de Infantaria), em Mafra, esta quarta-feira

O Presidente da República, Cavaco Silva, conversa com militares da Companhia de Formação durante a sua visita à Escola de Armas do Exército (Escola Prática de Infantaria), em Mafra, esta quarta-feira

Tiago Petinga / Lusa

Sobre a proposta de François Hollande de se criar um governo da zona euro com apenas seis países, Cavaco diz que esta não é uma ideia nova e que faz parte da necessidade de se apostar numa união económica e monetária aprofundada.

“Desde há muito tempo, há cerca de uma década, que esse aspeto é referido. O chamado documento dos cinco Presidentes vai um pouco nesse sentido”, diz o chefe de Estado, frisando que esse aprofundamento da união económica e monetária servirá também para responder a choques simétricos (que atingem todos os países) e os choques assimétricos (que atingem alguns países). “Penso que é uma coisa que vai durar muitos anos a fazer, esse caminho”, rematou.

Cavaco Silva fará esta noite, pelas 20h30, uma declaração ao país para anunciar a data das eleições legislativas, depois de se ter reunido esta terça-feira com todos os partidos com assento parlamentar.

O Presidente da República, Cavaco Silva, posa com militares após a sua visita à Escola de Armas do Exército (Escola Prática de Infantaria), em Mafra, esta quarta-feira

O Presidente da República, Cavaco Silva, posa com militares após a sua visita à Escola de Armas do Exército (Escola Prática de Infantaria), em Mafra, esta quarta-feira

Tiago Petinga