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Candidatura presidencial de Rui Rio está “70 ou 80% ponderada”. Falta decidir

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Rui Duarte Silva

Em entrevista à “RTP Informação” esta noite, o ex-presidente da câmara do Porto e militante do PSD não disse ainda se concorre a Belém, mas traçou o perfil do Chefe de Estado que Portugal precisa e deu nota positiva ao Governo

Ainda não foi desta que Rui Rio esclareceu se vai ou não candidatar-se à Presidência da República, embora o ex-presidente da câmara do Porto tenha admitido na entrevista que concedeu esta noite à “RTP Informação” que “70 ou 80% da decisão tavez esteja” tomada. Fatores “pessoais, políticos e condições logísticas” estão entre as questões a serem ainda “ponderadas”, afirmou.

Quanto ao papel do Chefe de Estado e as suas prioridades, Rui Rio manifestou menos hesitações: “A prioridade do Presidente da República deve ser a reforma do regime político”, disse, depois de - logo no arranque da entrevista - ter começado por considerar que, dada “a probabilidade enorme de não haver uma maioria” nas próximas legislativas, “o referencial de estabiilidade do país passar para a Presidência da República nos próximos tempos”.

Desenhando um perfil de um Presidente “mais interventivo”, ainda que “no quadro das suas competências”, Rio disse ser possível promover a mudança necessária através de uma real “magistratura de influência".

“Um Presidente com bom senso, equilíbrio e experiência política, se tiver consigo os portugueses, saberá condicionar os partidos” de forma positiva, acrescentou, esclarecendo que mais importante que ter garantido o apoio do seu partido, o PSD, para avançar, seria ter o partido “contra”.

Voltando a criticar “o sistema que comanda o país a partir de Lisboa”, “umas centenas que formam um principado para quem apenas tem dimensão nacional quem lhe pertence ou dele depende”, deixou uma garantia: “Se for candidato, colado a esse ´principado' é que eu não estou”.

Na apreciação aos quatro anos de governação, deu nota positiva ao executivo, que conseguiu cumprir o programa da troika, ainda que muita coisa pudesse ter sido “diferente”.

Sobre o líder socialista,António Costa, expressou a sua confiança de que este “será uma pessoa consciente” se vencer as eleições. Mas Rui Rio diz ver “um perigo” na ala mais esquerdista que o rodeia, “cujo ímpeto não sei se será capaz de travar”, “A governação socialista é tradicionalmente despesista”, disse ainda Rui Rio, para justificar o receio político.

A fechar, sobre o caso da prisão do antigo primeiro-ministro José Sócrates, o ex-autarca do Porto começou por deixar um elogio ao sistema judicial “que está mais empenhado em combater a corrupção, o que é de aplaudir”, mas condenou “a forma como isso tem sido feito”.

“As violações do segredo de justiça que levam a julgamentos populares é algo inadmissível e o contrário do que é uma democracia”, afirmou:

“A justiça colocou-se num patamar em que está também a ser julgada”, disse Rui Rio, “e o engenheiro Sócrates nunca mais vai ser culpado ou inocente”.

À pergunta se o considera culpado, repondeu: “Acho que é. Mas dou por mim a questionar-me se é justo pensar assim. E a ficar com problemas de consciência, sem saber se estou a ser manipulado para pensar assim”.