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“Seguristas” insatisfeitos com listas de deputados do PS

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“A direção nacional tem estado a lutar pela sua verdade sobre a unidade do partido - uma verdade que não corresponde à realidade dos factos”, aponta António Galamba (à esquerda)

Alberto Frias

O ex-dirigente socialista António Galamba advertiu que está em causa o empenho da direção do PS na unidade do partido e criticou o peso atual dos “seguristas” nas listas de candidatos a deputado

O ex-dirigente socialista António Galamba advertiu que esta terça-feira se fará “a prova dos nove” sobre o empenho da direção do PS na unidade do partido e criticou o peso atual dos “seguristas” nas listas de candidatos a deputados.

António Galamba, membro do Secretariado Nacional do PS liderado por António José Seguro, falava à entrada para a reunião da Comissão Política deste partido, que vai proceder à aprovação definitiva das listas socialistas de candidatos a deputados.

“A direção nacional tem estado a lutar pela sua verdade sobre a unidade do partido - uma verdade que não corresponde à realidade dos factos”, apontou logo António Galamba, que, na segunda-feira à noite, não foi colocado nas listas de candidatos a deputados da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS.

De acordo com António Galamba, para as legislativas de 2011 “houve nove cabeças de lista que apoiaram António José Seguro, mas agora só há um”.

“Hoje é o dia da prova dos nove sobre a unidade do partido, mas 'até ao lavar dos cestos é vindima' e vamos aguardar tranquilamente”, declarou.

O ex-dirigente socialista foi depois confrontado com a tese de outros “seguristas”, também partilhada pela direção do PS, segundo a qual, nas listas agora em aprovação, o número de ex-apoiantes de Seguro nas listas até vai crescer.

“Quem faz essa avaliação usa o mesmo termo de comparação que o primeiro-ministro faz em relação ao desemprego em Portugal. O que serve para termo de comparação não é a lista de 2011, que foi feita pelo então secretário-geral, José Sócrates, mas os 30,6 por cento obtidos por António José Seguro nas eleições primárias do PS”, em setembro passado, contrapôs.

“Esperamos que haja bom senso” na reunião da Comissão Política Nacional do PS, acrescentou, em tom de aviso.

No mesmo sentido, Miguel Laranjeiro, que também pertenceu ao Secretariado Nacional de António José Seguro, disse que aguarda da direção “um desmentido em relação a notícias que têm sido veiculadas por alguma comunicação social”, sobre o processo de elaboração das listas de candidatos a deputados.

“Vamos ver pelas propostas finais. No meu caso pessoal, estarei sempre na linha da frente daqueles que ajudarão o secretário-geral do PS, António Costa, a cumprir um dos seus objetivos e um dos seus compromissos, que é lutar por uma maioria absoluta robusta”, disse.

Interrogado se teve algum sinal de António Costa, no sentido de ser incluído nas listas de candidatos a deputados, Miguel Laranjeiro respondeu de forma perentória: “Não, não tive”.

Depois, Álvaro Beleza, que negociou pelos “seguristas” as listas de candidatos a deputados com a direção do PS, não confirmou se vai aceitar a sua presença nos lugares elegíveis de candidatos a deputados pelo círculo eleitoral de Lisboa.

“É preciso que as listas dos candidatos a deputados do PS reflitam a unidade do partido, a sua pluralidade e capacidade para ganhar as eleições. Neste processo, há coisas que correram bem e outras que correram menos bem - e vamos corrigir as coisas que correram menos bem”, disse, numa nota de relativa demarcação face às declarações proferidas por António Galamba.

Segundo Álvaro Beleza, a questão que se coloca “não é de representatividade” da corrente “segurista”, mas a necessidade das listas traduzirem “pluralidade”.

“O PS não é um partido de fações. Temos de somar, frisou.