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Portas diz que destruição de emprego nesta legislatura é culpa do PS

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Nuno Botelho

Vice-primeiro-ministro, em entrevista à SIC, admite destruição de emprego neste mandato, mas salienta tendência positiva. E reconhece que pagará o preço de ter revogado a “demissão irrevogável

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Paulo Portas admitiu esta noite, em entrevista à SIC, aquilo que todas as estatísticas demonstram: o saldo entre postos de trabalho criados e destruídos, nesta legislatura, é negativo. “Não ignoro”, disse o vice-primeiro-ministro, quando confrontado com essa realidade. Mas não se deixou empurrar para a guerra de números e desvalorizou as estatísticas, em favor de outro dado: a tendência. Essa, diz, “é a verdadeira pergunta: qual é a tendência do desemprego?” E a sua resposta é que “a tendência é mais positiva do que negativa”.

Uma semana depois de Pedro Passos Coelho, em entrevista ao mesmo canal, ter puxado pela criação de 175 mil postos de trabalho entre 2013 e 2015, ignorando os dados do total da legislatura, Portas também citou essa cifra e frisou que “do ponto vista estatístico a única coisa que é relevante é que o desemprego, que já esteve nos 17,5% está na casa dos 13%”.

Mas, confrontado com o saldo final negativo (perderam-se desde a tomada de posse do governo, 259 mil postos de trabalho), reconheceu que “depois daquele resgate e daquela recessão não era possível que o desemprego não aumentasse”. E partiu daí para tentar virar a polémica dos últimos dias (com o PS a acusar Passos de ter mentido) contra o PS: “Responsabilizo quem trouxe o resgate, o memorando e a recessão a Portugal por aquilo que aconteceu de negativo do ponto de vista do emprego. O PS devia ter uma grande humildade nessa matéria.”

Confiança em Passos Coelho e boa disposição com Maria Luís

Nesta que foi a sua primeira entrevista desde o episódio da “demissão irrevogável”, que há dois anos pôs o Governo à beira do precipício, Paulo Portas reconheceu que tem uma relação “muito boa e até bem disposta” com Maria Luis Albuquerque (cuja nomeação tinha desencadeado o pedido de demissão de Portas). E admitiu que o anúncio da sua saída, e posterior recuo, pode ter um custo. “Eu revoguei essa decisão. Pago o preço em termos de compreensão por ter feito essa revogação. Para mim o mais importante é que conseguimos chegar a acordo e a um compromisso em que o governo ficou mais coeso.”

“As pessoas julgar-me-ao por isso”, admitiu Portas, esperando ser também julgado pelo que fez em áreas como a diplomacia económica, a contratualização na área social, ou a eficiência no setor da agricultura. “Chego ao fim com o sentido de missão cumprida”, concluiu.

Sobre Passos Coelho, Portas garantiu que tem “confiança” no PM, bem como na “política que desenvolvemos”, que “permitiu a Portugal poder escolher quatro anos com mais confiança e mais esperança”.

O vice-PM insistiu na ideia de que António Costa “não fez até hoje nenhuma revisão crítica sobre o que lhe aconteceu em 2011” e “há um risco de voltar atrás”. “Vejo o PS a disparar outra vez o défice e a disparar outra vez a dívida” acusou.

Não faltam sucessores no CDS

Questionado sobre o seu futuro no CDS, caso a coligação não vença as eleições, Portas nada adiantou. “Eu gosto de cumprir os meus mandatos e meus compromissos. (...) Estou a lutar por ganhar e por merecer uma maioria para que o país não tenha sarilhos nem problemas”.

O único dado novo é que, apesar de “não estar aberta” a corrida à sua sucessão, segundo o próprio, continua a engrossar a lista dos potenciais sucessores. Na entrevista a Clara de Sousa, O líder do CDS acabou por nomear não um, nem dois, mas oito nomes de dirigentes do partido que têm “muito boa qualidade” e que podem ser “escolhas”. A saber: “Nuno Melo, Assunção Cristas, Cecília Meireles, Pedro Mota Soares, João Almeida, Adolfo Mesquita Nunes, Telmo Correia e Nuno Magalhães.”

Uma lista tão recheada, diz Portas, “é a maior tranquilidade que posso ter"”Isto, claro, frisando que a sua própria sucessão “não está aberta, não foi aberta por ninguém.