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Legislativas. E as eleições são a...

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Alberto Frias

Partidos são ouvidos esta terça-feira em Belém sobre a data preferida para as eleições. Entre 27 de setembro ou 4 de outubro, Cavaco Silva vai decidir esta semana

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Os seis partidos com assento parlamentar vão ser ouvidos esta terça-feira para se pronunciarem sobre a data das legislativas, diligência que precede a marcação das eleições pelo Presidente da República. Cavaco Silva já anunciou que o fará esta semana.

Este ano, há quatro domingos entre 14 de setembro e 14 de outubro, período em que de acordo com a lei eleitoral se têm de realizar as eleições legislativas. Cavaco já tornou claro há muito tempo que só equaciona duas delas: 27 de setembro e 4 de outubro. Antes disso seria demasiado cedo porque a campanha cairia “em cima das praias”, disse aos jornalistas numa conversa informal a bordo do avião a caminho da visita oficial à Noruega. Depois, seria demasiado tarde.

Mesmo assim, sublinhou na altura, a presidência “já tinha feito o seu trabalho de casa” e constatado que só uma vez se realizaram eleições em setembro – em 2009, porque nesse ano ocorriam também autárquicas. Questionado se o 4 de outubro não seria por sua vez prejudicial por ser véspera do dia de implantação da República, o Presidente não achou relevante o facto: “já não é feriado”, disse, dando a entender que essa seria a data preferida.

Os partidos alinham pela mesma bitola: nenhum quer eleições antes de 27 de setembro nem depois de 4 de outubro. Trabalho em férias, têm-no já garantido, na medida em que a lei os obriga a entregar até 41 dias antes das eleições as respetivas listas de candidaturas, cuja elaboração está agora a ser ultimada. Consoante as eleições sejam a 27 ou 4 de outubro, terão pois que as entregar aos órgãos competentes até 17 de agosto ou 24 de agosto. Mas quanto a fazer campanha eleitoral nas praias, nem pensar.

Cavaco já tornou claro há muito tempo que só equaciona duas delas: 27 de setembro e 4 de outubro

O último domingo, 11 de outubro, também não os motiva – é tarde demais, tendo em conta os prazos de formação do novo Governo mais o do Orçamento, que já se sabe que vai derrapar. E quanto à forma de um novo Executivo, está tudo em aberto, dependendo do resultado eleitoral.

No que diz respeito a datas certas, só o PSD se pronunciou “preferencialmente” por 27 de setembro. “Quanto mais depressa melhor”, disse ao Expresso fonte dos social-democratas, que admite contudo não ser “dramático” se o escrutínio se realizar a 4 de outubro. O seu porta-voz, Marco António Costa, assumiu em outras ocasiões que o seu partido era a favor de 27, “mas não levantaria objeções se o Presidente da República preferisse a 4 de outubro”.

O PS, desatendida por Cavaco Silva a pretensão inicial – na Primavera, dizia António Costa, quando a legislatura completava quatro anos – acha agora indiferente a escolha. Ambos os dias referidos são “datas normais” para o líder dos socialistas, que na entrevista à SIC, há um mês, afirmou “não fazer questão” quanto a uma ou outra.

Só o PSD se pronunciou “preferencialmente” por 27 de setembro. “Quanto mais depressa melhor”, disse ao Expresso fonte dos social-democratas

PC e Bloco de Esquerda afinam pelo mesmo diapasão: quanto mais tarde melhor. O Bloco não quer nem ouvir pensar em campanha eleitoral a coincidir com agosto, quando as pessoas estão de férias e reagem mal. E o PCP (que costuma levar de arrasto os Verdes) é a favor “de uma das datas mais adiantadas apontadas”, segundo disse ao Expresso fonte oficial do partido.

Posto isto, o Presidente decidirá. Ele próprio tem deslocações previstas para setembro, mas os calendários ajeitam-se. A 22 deslocar-se-á à Alemanha, para a costumada reunião do “Grupo de Arraiolos” (os presidentes sem poderes executivos da União Europeia). Mais para o fim do mês, está em estudo a possibilidade de ir a Nova Iorque, à Assembleia Geral. Mas, disse fonte de Belém, nunca nenhuma viagem será impeditiva de eleições.