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Mariana Mortágua: propostas do BE não querem fazer de Portugal “uma colónia da Comissão Europeia”

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Mário Cruz/ Lusa

Na apresentação dos nomes propostos pelo Bloco de Esquerda para Lisboa, a deputada afirmou também que “a vontade de estar no país é o que une” os candidatos da lista que encabeça

As propostas do Bloco de Esquerda não passam por Portugal ser “uma colónia" da Comissão Europeia ou de “qualquer interesse”, garantiu a deputada Mariana Mortágua esta segunda-feira, durante a sua apresentação como cabeça de lista por Lisboa.

“Apesar das escolhas que vos propomos serem escolhas duras, apesar do debate que temos de fazer ser um debate sério - e queremos fazê-lo com toda a seriedade -, podemos garantir que nós não queremos [ser], e o caminho que propomos não passará por sermos uma colónia da 'Goldman Sachs', por sermos uma colónia do ministro das Finanças alemão, por sermos uma colónia da Comissão Europeia, por sermos uma colónia de qualquer interesse que não o do povo português”, afirmou Mariana Mortágua na apresentação da lista do partido, que decorreu no Cinema S. Jorge, na capital.

A porta-voz do partido, Catarina Martins, também interveio na apresentação, tendo afirmado que a deputada “nunca baixou a cabeça” no parlamento.

“Mariana Mortágua encabeça a lista do Bloco de Esquerda por Lisboa e não há ninguém que não saiba que nunca curvou a cabeça quando era preciso enfrentar o assalto dos mais poderosos ao país, seja na Comissão de Inquérito do BES, seja a enfrentar o Governo do país”, acrescentou.

Durante a sua intervenção, Mariana Mortágua não poupou críticas ao atual Governo, tendo vincado: “Cada um de nós é parte da realidade que Passos Coelho tenta esconder todos os dias, ao dizer que o país está melhor, apesar das suas pessoas não estarem melhor”.

“Entre nós, onde havia trabalhadores há sindicalistas, há lutadores, há ativistas, há quem não desiste” - foi assim que Mariana Mortágua classificou a lista de deputados que encabeça, acrescentando que o que une os candidatos é “a vontade de estar neste país”, assim como a certeza de que Portugal “está a ser mal governado”.

“A maior prova é o facto de termos um Governo que só se elegeu com falsas promessas, volta a fazer falsas promessas para se eleger e está de tal forma a precisar de esconder a realidade que entra na tendência para manipular os dados, para esconder os dados do desemprego”, continuou.

Como número dois da lista por Lisboa, o partido apresenta o seu líder do grupo parlamentar, Pedro Filipe Soares.

“É verdade que alguns dizem que estamos a discutir um Governo, ou que estamos a discutir um primeiro-ministro - até já há primárias para candidatos a primeiro-ministro - mas não é isso que teremos nas próximas eleições”, afirmou Pedro Filipe Soares, que sublinhou também que “a chantagem que se antecipa de votos úteis, da necessidade de dar um Governo a 'A' ou a 'B' é pura e simplesmente o mesmo disco riscado que já se ouviu vezes sem conta e que, neste momento, nem eles sequer acreditam”.

A apresentação da lista dos deputados do BE que concorrem às eleições legislativas por Lisboa contou com a presença dos antigos líderes do partido, Francisco Louçã e João Semedo.