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Rio já decidiu presidenciais

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Rui Duarte Silva

Já só falta fechar calendários. Rio quer avançar e tem pensada uma estrutura de campanha. Marcelo espera por outubro

Rui Rio já fechou a decisão sobre candidatar-se a Belém. Ao que o Expresso apurou, o ex-presidente da Câmara do Porto já tem a estrutura de campanha delineada e pondera dar uma entrevista ou fazer uma declaração antes das férias que sejam “mais um sinal” de que quer manter-se em cena. Mas só deverá anunciar a decisão depois de agosto.

“As questões logísticas estão a postos”, garante um dos seus mais próximos conselheiros. “As contas estão feitas, o financiamento não é problema, há nomes pensados, ele sabe quem irá fazer isto ou aquilo”, confirma um social-democrata do Porto, conhecedor do processo. Ontem à tarde, Rio teve mais uma reunião com elementos do seu staff e a convicção nas hostes é que a decisão de avançar está 99,9% fechada. De tal modo que alguns dos apoiantes gostariam de ver Rio evoluir ainda este mês para um público “já decidi”.

Ao contrário dos outros dois potenciais candidatos da direita — Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes — Rio admite avançar em finais de agosto, princípio de setembro, ou seja, antes das legislativas, para se antecipar aos parceiros e assim marcar o terreno, embora também não exclua esperar por outubro. Já falou com Pedro Passos Coelho e terá recebido a garantia que considerava essencial: Passos não hostilizará uma candidatura presidencial do ex-presidente da Câmara do Porto, ainda que também tenha deixado claro que não quer a direção do PSD a formalizar apoios antes das legislativas.

Mais do que o apoio do primeiro-ministro, o que Rio ainda não tem fechado é o apoio de Paulo Portas. Sabe, no entanto, que o líder do CDS o apoiará sem reservas, embora antes queira saber o que fará Marcelo. E entre Rio e Marcelo, Portas preferiria o segundo.

Marcelo espera vitória do PS

Marcelo Rebelo de Sousa passou meses a galvanizar o PSD profundo, em reuniões, jantares e almoços a propósito dos 40 anos do seu partido de sempre, mas sabe que o resultado nas eleições de outubro que mais favoreceria a sua candidatura presidencial seria uma vitória do Partido Socialista. Por isso, o professor diz desde o início que remeterá o anúncio da sua decisão para o pós-legislativas.

Além de não ter que coabitar no terreno como candidato presidencial ao lado de um primeiro-ministro que não o deseja ver em Belém, a sua convicção é que o enquadramento mais favorável para avançar em força para as presidenciais é a eleição prévia de um Governo de esquerda. Se a direita sair de uma derrota nas legislativas, virar-se-á para ele como o ‘salvador’ que lhes pode dar uma vitória. Ao contrário, se Passos ganhar, o apoio do PSD à sua candidatura não são favas contadas.

Na semana passada, no rescaldo do acordo tirado a ferros para a Grécia, Marcelo aproveitou o comentário semanal na TVI 24 para se identificar com as posições europeias do líder do PS e confessou que se sentia mais próximo das posições assumidas por António Costa e dos esforços que os socialistas europeus desenvolveram contra o ‘Grexit’. E assim colou indiretamente o Governo português a uma posição menos solidária com Atenas.

Nos bastidores da maioria não faltou quem acusasse o toque, acusando Marcelo de não estar a ser fiel ao que se passou nas negociações em Bruxelas. Mas já na semana anterior, quando Marcelo comentou uma sondagem que dava uma vantagem de cinco pontos aos socialistas, a direita encontrou demasiado entusiasmo nas palavras do professor com esta descolagem do partido de Costa. A verdade é que, entre os apoiantes da candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, é consensual que este teria a vida facilitada com uma vitória do PS em outubro.

“Ele está muito para lá do PSD e se a direita não se dividir nas presidenciais ele tem todas as condições para ganhar à primeira volta”, afirma um marcelista convicto. Embora reconhecendo que uma vitória do PSD e do CDS nas legislativas não seria o cenário mais vantajoso. “Passos, se ganhar, ainda menos vai querer o Marcelo e dará apoio ao Rio”, antecipam nestes sectores, onde a demarcação que o líder do partido fez questão de inscrever na sua moção de estratégia ao último Congresso do PSD face ao perfil presidencial de Rebelo de Sousa, deixou profundas marcas.

Se a direita ganhar as legislativas, Marcelo não desiste necessariamente de se candidatar. “As coisas podem ficar mais difíceis mas o PSD e o CDS estarão com ele se ele quiser”, confia um apoiante muito próximo do professor. A dúvida é que estragos poderão fazer nestes planos, quer a eventual antecipação de Rui Rio quer a disponibilidade de Santana Lopes para, nesse caso, também ir a jogo.

Santana mantém-se na corrida

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa reagiu à notícia da última edição do Expresso que o dava como possível recandidato à Câmara de Lisboa se não fosse às presidenciais, com um “não, obrigado”.
Ao “DN” e à SIC, Santana agradeceu “a simpatia”, mas deixou claro que continua livre para fazer escolhas. Ou seja, não deixa que o ponham de fora da lista dos presidenciáveis.

O reencontro com Jorge Sampaio, o homem que o apeou do cargo de primeiro-ministro, provocando-lhe danos brutais na imagem (ver em baixo), veio mesmo a calhar. “Disse há meses que só voltaria a falar do assunto em outubro e não vi razão para alterar a minha posição”, afirmou, considerando que “a Presidência da República é um assunto demasiado sério para se andar em avanços e recuos”. À direita, como à esquerda, continua tudo em aberto.