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Marcelo diz que EUA “atravessaram-se brutalmente” por um acordo para a Grécia

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Marcelo Rebelo de Sousa considera que o acordo que abre portas a um terceiro resgate grego mostra que não é a economia que manda, mas sim a política

Foi uma questão “geopolítica” que ditou que os chefes de Estado e de Governo da zona euro chegassem na segunda-feira a um acordo sobre a Grécia, defende Marcelo Rebelo de Sousa.

“As opiniões públicas são sensíveis ao que sofre o povo grego, a dívida grega, aquilo que os países europeus vão pagar, mas aquilo que fala é a geopolítica. [...] Os americanos atravessaram-se brutalmente nisto”, declarou o ex-líder do PSD no seu espaço de comentário na TVI.

Para Marcelo, os EUA tiveram “duas grandes vitórias” esta semana: o acordo com a Grécia e o acordo com o Irão. Depois dos países bálticos colocarem obstáculos e da Alemanha manter o braço de ferro, o comentador sustenta que foi Washington que influenciou decisivamente o acordo, com o objetivo de travar a expansão russa: “Há sectores na Grécia muito amigos dos russos - como o governo - [...] e a Europa tem dificuldade em controlar atentados na Arábia Saúdita e no Iraque”, sublinha.

O ex-líder dos sociais-democratas destacou ainda o poder instável na vizinha Turquia, que conta um governo de coligação e com o Presidente Erdogan numa posição “fraca”, tentando travar os fundamentalistas islâmicos.

“Neste tempo, o preço a pagar pela Europa é barato, mesmo quando é caríssimo, em compração com o que seria o caos”, garantiu.

Quanto ao acordo sobre o programa nuclear iraniano, Marcelo reconhece a existência de “fragilidades”, mas considera que foi fundamental Barack Obama ter aberto portas neste sentido e cumprido os propósitos do seu mandato para a região Ásia-Pacífico.

Defendeu ainda que o próximo Presidente dos EUA - que na sua ótica será certamente Hillary Clinton - deverá aproveitar esta conquista: “Mas Hillary será uma versão mais dura de Obama, uma dureza que muitos republicanos apreciarão.”