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“Pensem bem nisso”, pede Portas

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Paulo Portas está de visita à ilha da Madeira

FOTO HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Não é tempo para “ir em aventuras” quando o País vive “o melhor momento de confiança” dos últimos anos. E, por isso, Paulo Portas pediu cuidado aos portugueses no discurso do aniversário do CDS no Funchal

Marta Caires

Jornalista

Paulo Portas foi à Madeira como líder do CDS e como vice-primeiro-ministro, falou no jantar dos 40 anos do partido, mas passou pela Quinta Vigia onde reuniu com o presidente do Governo Regional. Para tratar dos assuntos pendentes e porque não é bom “haver choques entre as pessoas”, explicou depois, já no discurso aos militantes. O PSD e CDS não vão coligados na Madeira, só que as eleições legislativas estão a caminho e todos os deputados contam para evitar o regresso dos socialistas ao poder.

“Pensem bem nisso”, pediu Portas, ao lembrar a bancarrota, a troika e todo o esforço dos últimos quatro anos. “Portugal não pediu mais dinheiro, não pediu um segundo resgate, não pediu mais tempo, nem teve um programa cautelar”. Segundo o vice-primeiro-ministro o País vive o melhor momento desde 2011. Os níveis de confiança na economia dos consumidores e dos empresários é o melhor dos últimos anos e “o investimento disparou”. O desemprego ainda é alto, mas melhorou.

Razões para “não ir em aventuras” e ter cuidado, que “ninguém no seu são juízo” gostaria de regressar a 2011. Portugal, mesmo contra o que dizem os “tecnocratas que nunca pagaram um salário ou exportaram um produto”, está em recuperação. Isto claro se não se arriscar o voto nos socialistas, os grandes adversários e os responsáveis pela bancarrota. E, com as eleições tão perto, Paulo Portas não esqueceu que a Madeira vale seis deputados e que os madeirenses prezam muito a autonomia dos partidos face a Lisboa.

O que não incomodou Paulo Portas, nem mesmo quando ouviu o líder regional e cabeça de lista do CDS à Assembleia da República. José Manuel Rodrigues deixou claro que o azul e amarelo a que deve a primeira lealdade é à bandeira da Região e não ao partido. O compromisso não é com uma maioria ou com um governo, disse líder regional, o que não é sequer inédito. O CDS da Madeira votou contra o Orçamento de Estado por duas vezes. Águas passadas, pois este sábado, no jantar dos 40 anos do partido, Paulo Portas só teceu elogios ao CDS da Madeira.

Até o CDS-Madeira, que há menos de um mês estava disposto a negociar uma lista de candidatos com o PSD, já esqueceu o momento de aproximação. O adversário, o principal, é agora o PSD, o responsável pela austeridade e pelo resgate regional. O perigo é o mesmo para as contas públicas que o PS, as consequências foram as mesmas: a austeridade e a bancarrota na Madeira.

Todos os deputados contam, repetiu-se por várias vezes, e o círculo eleitoral da Madeira vale representa seis lugares na Assembleia da República. Destes lugares, quatro são do PSD, um do CDS e outro do PS. Os sociais-democratas renovaram a lista e candidatam nomes da nova geração, o CDS avança com o líder regional, a mesma estratégia do PS, mas depois de um desentendimento público com António Costa que queria outro candidato. Um detalhe que os centristas já começaram: no CDS existe autonomia, o mais importante é a Madeira. E Paulo Portas concorda, estão esquecidos os votos contra o Orçamento. O importante é evitar o regresso dos socialistas.