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O que a Europa fez à Grécia? “Humilhar” ou uma “tentativa de vingançazinha”

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Luís Barra

Para Marques Mendes, o governo de Alexis Tsipras teve uma “atitude irresponsável” ao enganar os gregos durante seis meses, acabando por aceitar mais austeridade. Mas a União Europeia também não ficou bem na fotografia

Luís Marques Mendes mostra-se cético em relação ao acordo alcançado sobre a Grécia, que abre porta ao início das negociações para um terceiro resgate.

“Acho que as coisas não se vão resolver, isto é um paliativo. O Syriza começa a desmoronar-se e mais dia menos dia vamos ter um pântano político", afirmou o ex-líder do PSD no seu habitual espaço de comentário na SIC.

Segundo Marques Mendes, o governo helénico deverá cumprir as medidas previstas no acordo até ao final de agosto, pois tem obrigações financeiras a cumprir, nomeadamente os pagamentos ao Banco Central Europeu (BCE), sendo uma dúvida o período seguinte. "Para que o acordo seja cumprido exige-se que as pessoas acreditem nele. E se nem o primeiro-ministro grego diz que acredita", questiona o comentador.

Para além da questão política - a instabilidade dentro do próprio Syriza - , Marques Mendes aponta o facto de a máquina fiscal helénica não funcionar e de os investidores não terem confiança no país, aspeto que deverá refletir-se no próprio sector turístico.

O antigo secretário-geral do PSD considera que o acordo alcançado na cimeira da zona euro foi positivo, uma vez que evitou a saída da Grécia da zona euro, mas critica a atuação do Executivo helénico e dos líderes europeus.

“A culpa é dois lados. Do governo grego que andou seis meses a enganar os gregos e a adiar as mudanças na parte fiscal, prometendo no referendo não à austeridade e acabou depois por aceitar ou dobro ou o triplo [da austeridade]. Tudo isto é um comportamento irresponsável”, indicou Marques Mendes.

Mas também da União Europeia, que segundo comentador, “fez tudo para humilhar os gregos”. "Não são as medidas que estão em causa, mas a forma como as coisas são feitas. Os líderes europeus disseram: 'ou aceitam isto ou saem da moeda única'. Chama-se a isto humilhar ou uma tentativa de vingançazinha”.