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“O PS que eu conheço vai apoiar o Tomané”

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Marcos Borga

Casa cheia em Sintra para apresentar a “candidatura independente” de Sampaio da Nóvoa. Mário Soares e Jorge Sampaio estavam para vir, mas não vieram. Enviaram mensagens de apoio e só Eanes falou em direto e ao vivo. Na plateia, militares, académicos e vários ex-governantes socialistas mostram bem que há um PS muito empenhado em levar Nóvoa até Belém

Não houve o entusiasmo da primeira "aparição" de António Sampaio da Nóvoa. O Teatro da Trindade estava, há três meses, a transbordar de gente para aplaudir o candidato. Em Sintra, esta quarta-feira à noite, não houve filas para entrar, nem quem tivesse de ficar à porta por falta de espaço vital. Havia lugar para todos, e até cadeiras vazias. O mundo mudou em pouco tempo. Pelo menos o da campanha de Nóvoa.

Não houve música épica para a entrada do candidato em cena. O teatro Olga Cadaval baixou as luzes à hora marcada e um cantor lírico arrancou com o "Nessum dorma" (ninguém durma), com direito a piano ao vivo. Era o ponto de partida para a sessão. Original, na cena política. Nóvoa quer ser diferente. E lá conseguiu.

Não houve ainda a presença conjunta de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio - os três últimos presidentes antes de Cavaco - que a organização previa como ponto alto, mas que acabou por ficar por terra. Uma semana depois da morte de Maria Barroso, Soares não pôde comparecer. Mas "falou de manhã ao telefone" com o candidato e fez questão de lhe transmitir o seu "apoio e empenhamento ativo", assim como a "disponibilidade para aquilo que for necessário".

A plateia registou e aplaudiu. Como aplaudiu as palavras ditas por Jorge Sampaio, gravadas esta quarta-feira de manhã em vídeo, porque uma mudança de horários de avião o impediu de fazer campanha ao vivo. "Precisamos da visão de Sampaio da Nóvoa" e da sua candidatura que "prestigia a democracia", disse o ex-PR.

Faltou só a "bênção" presidencial de Eanes, que falou, num discurso longo e repleto de citações, onde elogiou Nóvoa por ser "um homem de diálogo e de pontes" ou por "não ter compromissos com os lobbies".

O “menino das pernas tortas”

Mesmo "diferente" e apostada num novo tipo de presidência, a campanha não deixa de ter o peso institucional que dá músculo político ao candidato. Além dos ex-presidentes, os generais à civil fazem-se notar na plateia, assim como vários ex-governantes socialistas e deputados do PS. De Mário Lino a João Cravinho, de Rui Vieira Nery a Ana Jorge, ou de Correia de Campos e a Vítor Ramalho, há muitos rostos do PS a marcar a sala.

E sabem bem à organização, apostada em mostrar que tem o terreno bem marcado, mesmo que outros adversários possam surgir, vindos das mesmas fileiras.

Ninguém fala em preocupação com o futuro e, com a caravana a andar, tenta driblar-se o embaraço que a indefinição oficial do PS está a provocar. Menos Miguel Alves, o autarca de Caminha, também ele socialista e da terra onde Nóvoa "aprendeu as primeiras letras". Há poucos dias, o candidato voltou à terra, reviu os bancos e os colegas da escola, reuniu à sua volta "gente de todos os partidos".

O "Tomané" tem apoios fortes a Norte, garante Miguel Alves. Mas também gente angustiada que, mal a caravana rumou a sul, confessaram ao autarca estarem preocupados em saber se "o PS vai apoiar o Tomané". O edil não teve hesitação na resposta. Nem em Caminha, nem em Sintra. "Não só é um ato natural, como um ato de patriotismo e de inteligência apoiar Sampaio da Nóvoa", disse. A plateia aplaudiu com força. E gostou ainda mais do remate: "O PS que eu conheço vai com certeza apoiar o Tomané".

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