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Nóvoa reforça que “não depende dos partidos”

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Luís Barra

Enquanto no interior do PS crescem as vozes de apoio a um candidatura de Maria de Belém à Presidência, Sampaio da Nóvoa diz e repete que é “independente” e que “não depende dos partidos”. Na apresentação da sua Comissão de Candidatura, Mário Soares e Jorge Sampaio voltaram a ser os dois grandes trunfos para mostrar às hostes socialistas que, apesar do silêncio de Costa, há um PS que continua ao lado de Nóvoa

São dois mil os membros da comissão de candidatura de António Sampaio da Nóvoa à presidência. Mas os três primeiros nomes da lista é que, verdadeiramente, contam: Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio. É para eles que o candidato dirigiu as primeiras palavras do seu discurso desta noite. Não é por acaso. São os maiores trunfos da campanha, porque trazem o peso de serem os últimos ocupantes de Belém. Dois deles, aliás, históricos dirigentes do PS.

O PS e a sua indefinição sobre qual o candidato estão nas entrelinhas do discurso do candidato a Belém. Sampaio da Nóvoa "insiste para que não haja dúvidas" que "esta candidatura é independente". Sublinhado no texto distribuído aos jornalistas, quer reforçar a ideia de que "não depende dos partidos, ainda que agradeça e deseje o apoio de todos - partidos, grupos, movimentos, pessoas".

O tom do discurso torna-se optimista, depois de 'fechado' o assunto que tem enchido as páginas de jornal. Sampaio da Nóvoa fala mesmo de "uma presidência de tipo novo" que tenciona inaugurar. E até vê mesmo que o facto de vir do lado dos sem-partido lhe dá vantagens de partida. "Durante 2016 podemos assistir á transição de presidentes oriundos da vida partidária para um Presidente que vem da sociedade civil não-partidária".

O que podia parecer fraqueza, torna-se força. "Este novo tipo de presidência pode ser útil no atual momento histórico por uma razão simples: não tendo origem na vida partidária, disponho de maior liberdade para dialogar com todas as forças sociais e políticas" e até "celebrar compromissos de futuro para Portugal" de largo espectro político.

Sampaio da Nóvoa sonha alto nos compromissos: quer um "contrato pelo futuro da República", quer um "debate com todas as forças políticas" sobre a questão da dívida, quer "compromissos nacionais em torno do combate às desigualdades, ao desemprego, à desertificação e ao despovoamento das zonas rurais".

O candidato reduziu, desta vez, o número de citações literárias ou musicais que costumavam marcar os seus discursos. Mas não resistiu a terminar com um apelo para que os seus apoiantes acordassem para a campanha. E, claro, aí venho Fernando Lopes Graça e o "Acordai", com direito a uma estrofe completa em que o compositor pedia a "raios e tufões" para virem "incendiar de astros e canções / as pedras do mar / o mundo e os corações".