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Passos: “A senhora jornalista acha garantido que o PS vai ganhar?”

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Alberto Frias

“Vamos ver o que a campanha dá.” Na última entrevista antes das férias, Passos Coelho afirmou na SIC “não estar à espera de cortar mais pensões”. E diz que traiu algumas promessas porque o memorando que herdou do PS era incumprível”. Acha o programa de Costa “irrealista e arriscado”. E até outubro não perde “um segundo com as presidenciais”

Foi um discreto puxar de galões a última entrevista do primeiro-ministro antes de férias. “Se não tivesse feito o que fiz, provavelmente a troika ainda cá estava”, afirmou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a Clara de Sousa, na conversa que tiveram na SIC e onde manteve como focos prediletos a comparação entre o seu Governo e a Grécia e a herança de Sócrates.

Sem uma única promessa nova, Passos deixou uma garantia aos quase três milhões de pensionistas: não está “à espera de cortar mais nas pensões” e não fechará nenhuma solução em matéria de Segurança Social sem ouvir o PS.

As promessas eleitorais que falhou diz que se devem ao memorando que o Governo de Sócrates lhe deixou: “As contas estavam mal feitas e não fui eu que as fiz”.

Passos não foi manso com o adversário. Classificou o programa eleitoral de António Costa de “irrealista e arriscado”. E fez o que pôde para o colar a José Sócrates: “Descontar menos para a Segurança Social (como o programa do PS defende) para ter mais dinheiro para gastar hoje é algo que já provou no passado que leva o país a desequilíbrios”.

O primeiro-ministro não sai da sua: “Temos que ser prudentes” para não dizer hoje uma coisa “e a seguir ter que fazer o contrário”.

Alberto Frias

Clara de Sousa quis saber se o primeiro-ministro acha que ainda tem tempo de mudar a imagem de “mau da fita” que as sondagens confirmam estar instalada no eleitorado e Passos exibiu ares de confiança: “É natural que eu seja o rosto do que se passou mas a verdade é que conseguimos fazer o que era importante para o país”.

A mensagem da maioria absoluta veio para ficar: Passos Coelho diz que a estabilidade é tão importante que “é preferível que haja um ganhador inequívoco das eleições” do que deixar o país à mercê de coligações incertas. E espicaçou a ideia alimentada pelos estudos de opinião de que pode ter o combate perdido: “A senhora jornalista acha que nós temos garantido que o PS vai ganhar?”. Foi das poucas vezes em que o entrevistado se riu.

O desemprego, questão considerada central na campanha eleitoral, veio à baila com números: “Enquanto o PS foi Governo (2005/2011), a taxa de desemprego passou de 7,5% para 12,1% (menos 236 mil postos de trabalho)”. Passos gaba-se de ter conseguido, a partir de 2013, melhorar a mesma taxa, com a criação de mais 175 mil empregos.

Alberto Frias

Revisitar a herança socialista faz parte do guião: “O programa de entendimento que recebi não era cumprível”.

O primeiro-ministro diz que não denunciou a situação para evitar um segundo resgate. A Grécia está sempre em pano de fundo e sobre o acordo para Atenas, Passos diz que houve sempre unanimidade dentro do Eurogrupo”, embora reconheça que “a posição da Alemanha era de discutir todas as possibilidades para a Grécia”.

Cá dentro, Passos Coelho diz que a sua parceria com Paulo Portas “oferece uma oportunidade de ter uma maioria absoluta” e confia na campanha eleitoral: “Vamos ver o que a campanha dá”.

Sobre presidenciais, nem uma palavra. “Falarei sobre presidenciais depois das legislativas. Até lá, não perderei um segundo”.