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Costa: “A direita mais radical, onde se filia o nosso Governo, fez tudo para expulsar a Grécia do euro”

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FOTO NUNO BOTELHO

Secretário-geral socialista também se demarca do Syriza, cuja estratégia “deu o resultado que deu”. “[A estratégia do PS] é diferente”, garante

O secretário-geral do PS considerou esta terça-feira que o acordo entre instituições europeias e Grécia não é perfeito, mas advertiu que a expulsão grega representaria o fim do euro, com provável saída de Portugal da moeda única.

António Costa falava aos jornalistas após ter participado numa sessão de homenagem ao antigo ministro socialista da Ciência José Mariano Gago, após ser questionado sobre o acordo alcançado na segunda-feira entre a Grécia e os restantes Estados-membros da União Europeia.

"O ter havido um acordo é em si mesmo bom e, se as partes chegaram a acordo, é porque houve boas razões para chegarem a acordo. Estávamos numa trajetória muito perigosa, em que a direita mais radical, onde se filia o nosso Governo, fez tudo o que estava ao seu alcance para expulsar a Grécia do euro", acusou.

Neste contexto, o líder socialista fez uma leitura sobre os episódios que se poderiam seguir após uma eventual expulsão da Grécia da zona euro. "A expulsão da Grécia da zona euro era o fim do euro e era provavelmente o fim da nossa presença do euro. Se me perguntam se o acordo é perfeito, digo que não é perfeito, mas é um acordo. Espero é que agora seja possível estabilizar a zona euro para nos centrarmos no que é fundamental e prioritário, que é um novo impulso para a convergência", declarou aos jornalistas.

Numa nota de demarcação face ao executivo do Syriza, Costa referiu que a estratégia do Governo grego "deu o resultado que deu", mas que a do PS "é diferente, porque não assenta numa lógica de confrontação, tendo antes como base uma lógica de alianças para o reforço da zona euro".

"Temos de dar força ao processo de mudança que está em curso desde as últimas eleições europeias", disse, criticando depois a Comissão Europeia que foi liderada por Durão Barroso e elogiando a atual equipa de Bruxelas, encabeçada por Jean-Claude Juncker.

"O mais importante na raiz da fundação da Europa são os valores da paz, da democracia, da liberdade e da solidariedade. O euro, como no passado a União Aduaneira, é um instrumento. Os verdadeiros valores são civilizacionais", referiu o secretário-geral do PS.
Neste contexto, António Costa defendeu que "não pode continuar uma Europa governada por ministros das Finanças".

"Temos de ter uma Europa governada por políticos, com as decisões centradas cada vez mais nas cimeiras de chefes de Estado e de Governo e cada menos nas tecnicalidades dos ministros das Finanças", sustentou, antes de elogiar a visão que o presidente do Estados Unidos, Barack Obama, teve na questão da Grécia.

"Antes de ser um parceiro do euro, a Grécia é um parceiro fundamental da Aliança Atlântica, um país charneira entre o ocidente e o oriente, entre a cristandade e o mundo islâmico. Foi o berço da civilização europeia."